Questão FC655233
Para responder a questão, considere o poema de Mario Quintana. Recordo ainda... e nada mais me importa… Aqueles dias de uma luz tão mansa Que me deixavam, sempre, de lembrança, Alg
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Para responder a questão, considere o poema de Mario Quintana.
Recordo ainda... e nada mais me importa… Aqueles dias de uma luz tão mansa Que me deixavam, sempre, de lembrança, Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de desesperança Soprando cinzas pela noite morta! E eu pendurei na galharia torta Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, ai, Embora idade e senso eu aparente, Não vos iluda o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente! Sou um pobre menino... acreditai… Que envelheceu, um dia, de repente!...
(QUINTANA, Mario. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2005)
No poema, o eu lírico dirige-se explicitamente a seu leitor no seguinte verso:
- Estrada afora após segui... Mas, ai, (3ª estrofe)
- Recordo ainda... e nada mais me importa... (1ª estrofe)
- E eu pendurei na galharia torta (2ª estrofe)
- Sou um pobre menino... acreditai… (4ª estrofe)
- Eu quero os meus brinquedos novamente! (4ª estrofe)
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Gabarito
D
Comentário do professor
Sou um pobre menino... acreditai…
O verso indica endereço direto ao leitor porque contém o verbo acreditai, forma do imperativo afirmativo do verbo "acreditar".
Gramaticalmente, acreditai está na 2ª pessoa do plural (vós), ou seja, é uma ordem/pedido dirigido a testemunhas externas, não apenas uma reflexão interna do eu lírico.
Do ponto de vista discursivo, a combinação da declaração em 1ª pessoa ("Sou um pobre menino") com o imperativo ("acreditai") transforma a fala em apelo direto ao interlocutor, evidenciando a intenção de convencer ou sensibilizar quem lê.
Por isso, esse verso é o que mostra de forma mais explícita a interlocução entre o eu lírico e o leitor.
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