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Questão FC655237

Para responder a questão, considere o texto abaixo. Sobre o amor, etc. Dizem que o mundo está cada dia menor. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raram

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Para responder a questão, considere o texto abaixo.

 

Sobre o amor, etc.

 

Dizem que o mundo está cada dia menor.

 

É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais.

 

Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um dia estaríamos todos reunidos em volta de uma mesa farta e então tudo seria bom. Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações.

 

Agora sabemos que jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Poderemos falar, falar, para nos correspondermos por cima dessa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas.

 

Chamem de tolo ao apaixonado que sente ciúmes quando ouve sua amada dizer que na véspera de tarde o céu estava lindíssimo. Se ela diz “nunca existirá um céu tão bonito assim” estará dando, certamente, sua impressão de momento; há centenas de céus extraordinários. Ele porém, na véspera, estava dentro de uma sala qualquer e não viu céu nenhum. Se acaso tivesse chegado à janela e visto, agora seria feliz em saber que em outro ponto da cidade ela também vira. Mas isso não aconteceu, e ele tem ciúmes. Sente que sua amada foi infiel; ela incorporou a si mesma alguma coisa nova que ele não viveu. Será um louco apenas na medida em que o amor é loucura.

 

É horrível levar as coisas a fundo. O amigo que procura manter suas amizades distantes e manda longas cartas sentimentais tem sempre um ar de náufrago fazendo um apelo. Naufragamos a todo instante no mar bobo do tempo e do espaço, entre as ondas de coisas de todo dia.

 

Assim somos na paixão do amor, absurdos e tristes. Por isso nos sentimos tão felizes e livres quando deixamos de amar. Que maravilha, que liberdade sadia em poder viver a vida por nossa conta! Sentimo-nos fortes, sólidos e tranquilos. Até que começamos a desconfiar de que estamos sozinhos, trancados do lado de fora da vida.

 

(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Melhores crônicas. Global Editora, edição digital)

 

Que maravilha, que liberdade sadia em poder viver a vida por nossa conta! (7º parágrafo)

 

Segundo argumenta o autor, contrapõe-se inevitavelmente a tal sentimento de “liberdade sadia”, no contexto da crônica,

  1. a apatia.
  2. o ciúme.
  3. a alegria.
  4. a indiferença.
  5. a solidão.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A resposta correta é a solidão.

No trecho final o autor descreve a "liberdade sadia" como a sensação de estar feliz e livre ao deixar de amar: viver a vida por nossa conta, sentirmo-nos fortes e tranquilos.

Logo em seguida contrapõe essa satisfação com outra sensação: "Até que começamos a desconfiar de que estamos sozinhos, trancados do lado de fora da vida." Esse trecho explicita que a liberdade conquistada traz, inevitavelmente, o risco de isolamento emocional.

Portanto, no contexto da crônica, o sentimento que se opõe à liberdade sadia é a solidão; a liberdade individual revela-se acompanhada pela sensação de estar só.

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