Questão FC655249
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O exercício da crônica Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancis
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.
Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.
Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.
Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.
Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.
(Adaptado de: MORAES, Vinícius de. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 103-104)
Ao afirmar que todos os cronistas têm o seu papel a cumprir (4o parágrafo), o autor se apoia no seguinte argumento:
- ocultam cuidadosamente a própria personalidade (3o parágrafo).
- colocam-se como a personagem principal de todas as situações (3o parágrafo).
- os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa (3o parágrafo).
- é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo (4o parágrafo).
- escrevem de maneira simples e direta (2o parágrafo).
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Gabarito
D
Comentário do professor
O autor justifica que todos os cronistas têm um papel por meio da máxima “é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo”, que funciona como argumento lógico e conotativo.
Essa expressão resume a ideia de diversidade necessária: porque o mundo e o público são pluralizados, há espaço para estilos diversos e finalidades distintas na crônica.
No trecho anterior o autor descreve variados tipos de cronistas, o que exemplifica na prática a tese expressa pela máxima. Cada perfil atende a expectativas e humores diferentes.
Assim, afirmar que “todos têm um papel a cumprir” é deduzido da premissa de que a variedade de leitores exige variedade de cronistas, tornando cada um útil e legítimo.
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