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Questão FC655279

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O rio de minha terra é um deus estranho. Ele tem braços, dentes, corpo, coração, muitas vezes homicida, foi ele quem l

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

O rio de minha terra é um deus estranho. Ele tem braços, dentes, corpo, coração, muitas vezes homicida, foi ele quem levou o meu irmão.

É muito calmo o rio de minha terra.

Suas águas são feitas de argila e de mistérios. Nas solidões das noites enluaradas a maldição de Crispim desce sobre as águas encrespadas.

O rio de minha terra é um deus estranho.

Um dia ele deixou o monótono caminhar de corpo mole para subir as poucas rampas do seu cais. Foi conhecendo o movimento da cidade, a pobreza residente nas taperas marginais.

Pois tão irado e tão potente fez-se o rio que todo um povo se juntou para enfrentá-lo. Mas ele prosseguiu indiferente, carregando no seu dorso bois e gente, até roçados de arroz e de feijão.

Na sua obstinada e galopante caminhada, destruiu paredes, casas, barricadas, deixando no percurso mágoa e dor.

Depois subiu os degraus da igreja santa e postou-se horas sob os pés do Criador.

E desceu devagarinho, até deitar-se novamente no seu leito.

Mas toda noite o seu olhar de rio fica boiando sob as luzes da cidade.

(Adaptado de: MORAES, Herculano. O rio da minha terra. Disponível em: https://www.escritas.org)

 

No poema, o eu lírico

  1. alega desconhecer as causas da violência das águas.
  2. atribui características humanas a elementos da natureza.
  3. recorre a contradições para configurar o caráter insólito do rio.
  4. lamenta o fim trágico e inesperado dos acontecimentos.
  5. mostra-se pessimista com relação aos rumos da modernidade.
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Gabarito

B

Comentário do professor

A alternativa está correta porque o eu lírico pratica a personificação, isto é, a atribuição de características humanas a um elemento natural: o rio.

No poema, o rio não é descrito apenas como água; recebe ações e traços humanos: "é um deus estranho", "deixou o monótono caminhar de corpo mole" e "postou-se horas sob os pés do Criador".

Essas imagens transformam o rio em agente consciente, que caminha, conhece a cidade, sente ira e possui olhar. Assim, o poeta aproxima o leitor de uma visão animada e simbólica da natureza.

Portanto, a figura central é a personificação, usada para intensificar o efeito emocional do poema e tornar o desastre fluvial mais humano e significativo.

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