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Questão FC655307

Crimes ditos “passionais” A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação femini

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Crimes ditos “passionais”

 

A história da humanidade registra poucos casos de mulheres que mataram por se sentirem traídas ou desprezadas. Não sabemos, ainda, se a emancipação feminina irá trazer também esse tipo de igualdade:(a) a igualdade no crime e na violência. Provavelmente, não. O crime dado como passional costuma ser uma reação daquele que se sente “possuidor” da vítima. O sentimento de posse, por sua vez, decorre não apenas do relacionamento sexual, mas também do fator econômico: o homem é, em boa parte dos casos, o responsável maior pelo sustento da casa.(b) Por tudo isso, quando ele se vê contrariado, repelido ou traído, acha-se no direito de matar.

 

O que acontece com os homens que matam mulheres quando são levados a julgamento? São execrados ou perdoados? Como reage a sociedade e a Justiça brasileiras diante da brutalidade que se tenta justificar como resultante da paixão?(e) Há decisões estapafúrdias, sentenças que decorrem mais em função da eloquência dos advogados e do clima emocional prevalecente entre os jurados do que das provas dos autos.

 

Vejam-se, por exemplo, casos de crimes passionais cujos responsáveis acabaram sendo inocentados(c) com o argumento de que houve uma “legítima defesa da honra”, que não existe na lei. Os motivos que levam o criminoso passional a praticar o ato delituoso têm mais a ver com os sentimentos de vingança, ódio, rancor, frustração, vaidade ferida, narcisismo maligno, prepotência, egoísmo do que com o verdadeiro sentimento de honra.

 

A evolução da posição da mulher na sociedade e o desmoronamento dos padrões patriarcais tiveram grande repercussão nas decisões judiciais mais recentes,(d) sobretudo nos crimes passionais. A sociedade brasileira vem se dando conta de que mulheres não podem ser tratadas como cidadãs de segunda categoria, submetidas ao poder de homens que, com o subterfúgio da sua “paixão”, vinham assumindo o direito de vida e morte sobre elas.

 

(Adaptado de: ELUF, Luiza Nagib. A paixão no banco dos réus. São Paulo: Saraiva, 2002, XI-XIV, passim)

 

A posição da autora do texto em face do argumento da “legítima defesa da honra”, invocado pela defesa do acusado em crimes passionais, manifesta-se na seguinte formulação:

  1. Não sabemos ainda se a emancipação feminina irá trazer também esse tipo de igualdade.
  2. o homem é, em boa parte dos casos, o responsável maior pelo sustento da casa.
  3. casos de crimes passionais cujos responsáveis acabaram sendo inocentados.
  4. grande repercussão nas decisões judiciais mais recentes.
  5. brutalidade que se tenta justificar como resultante da paixão.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A alternativa E reflete diretamente a posição da autora: ela condena a tentativa de transformar homicídios passionais em justificativa moral. No texto surge explicitamente a expressão “brutalidade que se tenta justificar como resultante da paixão”, que resume sua reprovação.

Além disso, a autora evidencia que, em alguns julgamentos, essa justificativa aparece sob a alegação de “legítima defesa da honra”, termo que ela mesmo qualifica como inexistente na lei. Esse conjunto demonstra que a autora vê tal argumento como uma artimanha para legitimar violência, não como fundamento jurídico ou moral aceitável.

Por isso a alternativa E captura fielmente a crítica central do texto.

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