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Questão FC655312

Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a u

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

[O que queremos?]

Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a uma última pergunta: o que queremos nos tornar?

A maioria das pessoas prefere não falar sobre isso. Mesmo o campo da bioética prefere abordar outra pergunta: “O que é proibido fazer?”. É aceitável fazer experimentos genéticos com seres humanos vivos? Com fetos abortados? Com células-tronco? É ético clonar ovelhas? Todas essas perguntas são importantes, mas é ingênuo imaginar que podemos simplesmente frear os projetos científicos que estão transformando o homo sapiens em um tipo diferente de ser, pois esses projetos estão inextricavelmente unidos à busca pela imortalidade.

Pergunte aos cientistas por que estudam o genoma, ou tentam conectar um cérebro a um computador, ou tentam criar uma mente dentro de um computador. Nove em cada dez lhe darão a mesma resposta: estamos fazendo isso para curar doenças e salvar vidas humanas. Embora as implicações de criar uma mente dentro de um computador sejam muito mais dramáticas do que curar doenças psiquiátricas, essa é a justificativa padrão fornecida, porque ninguém pode argumentar contra ela.

A única coisa que podemos tentar fazer é influenciar a direção do que se está fazendo nas ciências. Mas considerando que possivelmente logo seremos capazes de manipular inclusive nossos desejos, a verdadeira pergunta a ser enfrentada não é “O que queremos nos tornar?”, e sim “O que queremos querer?”. Aqueles que não se sentem assombrados por essa pergunta provavelmente não refletiram o suficiente a respeito.

(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens:

Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, 425-426)

 

O autor do texto, segundo o que dispõe no parágrafo

  1. primeiro, toma como probabilidade segura uma evolução cada vez mais rápida nas conquistas históricas do homo sapiens.
  2. segundo, acredita que a progressão dos experimentos genéticos deverá refrear-se, em função dos questionamentos que vêm sofrendo.
  3. terceiro, julga que a grande maioria dos cientistas justifica seus experimentos mais ousados de modo a torná-los aceitáveis.
  4. quarto, mostra-se cético quanto à possibilidade de alguma interferência nossa na sucessão das experiências já programadas pelos cientistas.
  5. quarto, considera que as perguntas fundamentais sobre o nosso futuro dizem respeito, uma vez mais, à nova espécie em que queremos nos transformar.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

No terceiro parágrafo o autor afirma que a maioria dos cientistas apresenta seus projetos mais audaciosos sob uma justificativa socialmente aceita: 9 em cada 10 cientistas dirão que agem para “curar doenças e salvar vidas humanas”.

O trecho evidencia que essa explicação é a justificativa padrão e serve para neutralizar objeções, pois, nas palavras do autor, “ninguém pode argumentar contra ela”.

Assim, o autor sustenta que muitos pesquisadores formulam uma justificativa moralmente incontestável para tornarem seus experimentos aceitáveis, ocultando ou minimizando motivações mais amplas e controversas.

O tom crítico indica que essa retórica funciona como estratégia de legitimação, não apenas como descrição neutra dos fins científicos.

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