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Questão FC655344

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Minha terra Saí menino de minha terra. Passei trinta anos longe dela. De vez em quando me diziam: Sua terra está compl

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Minha terra

 

Saí menino de minha terra.

Passei trinta anos longe dela.

De vez em quando me diziam:

Sua terra está completamente mudada,

Tem avenidas, arranha-céus...

É hoje uma bonita cidade!

 

Meu coração ficava pequenino.

 

Revi afinal o meu Recife.

Está de fato completamente mudado.

Tem avenidas, arranha-céus.

É hoje uma bonita cidade.

 

Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!

 

(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 4. ed., p. 283)

 

A figura de linguagem atuante no verso “Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!” traz ao poema

  1. um desmedido sentimento de revivescência.
  2. a ironia aguda de quem desdenha de suposta vantagem.
  3. a maldição que recai sobre quem se agarra ao passado.
  4. o impacto risível das revelações mais surpreendentes.
  5. a confirmação de uma desconfiança há muito frequentada.
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Gabarito

B

Comentário do professor

Ironia aguda significa usar uma fala com sentido contrário ao literal para expressar desprezo ou sarcasmo. No verso “Diabo leve quem pôs bonita a minha terra!” a exclamação parece desejar mal a quem elogiou a cidade, mas seu efeito real é crítico e amargurado.

O eu‑lírico reconhece que a cidade ficou “bonita”, mas trata essa aparência como uma perda das memórias e da identidade. A construção funciona como antípfrase, isto é, o enunciado opõe-se à ideia literal para intensificar o desdém.

Assim, a frase traz ao poema uma ironía intensa: rejeita a suposta vantagem de uma cidade modernizada, convertendo o elogio em motivo de lamento e crítica.

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