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Questão FC655353

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O meu ofício O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

O meu ofício

 

O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim.

 

Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.

 

Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.

 

(Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015, p, 72-77, passim)

 

No primeiro parágrafo, a escritora confessa que seu modo de escrever lhe

  1. assegura a qualidade literária de seu texto, o que ela mesma pode reconhecer e admirar tão logo o haja concluído.
  2. causa um misto de prazer e desconforto, já que todos dizem admirar sua escrita, sem, no entanto, precisar a razão desse gosto.
  3. traz a sensação de uma total familiaridade com esse ofício, ao contrário de qualquer outra atividade que se impusesse.
  4. proporciona a sensação de que, mesmo ignorando as regras desse ofício, sabe que seu mérito literário ocorre naturalmente.
  5. impõe uma disciplina de trabalho que a leva a se satisfazer sempre com os resultados, sobretudo quando os outros lhe reconhecem o valor.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Total familiaridade resume a ideia da alternativa. No primeiro parágrafo a autora afirma: "sinto-me extraordinariamente à vontade" e que se move "num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem". Essas expressões indicam confiança e domínio íntimo do ofício.

Além disso, ela fala em "instrumentos que me são conhecidos e familiares" e que os sente "bem firmes em minhas mãos", imagem que reforça a sensação de proximidade e segurança na prática da escrita.

O contraste explícito com outras ocupações, nas quais ela "sofre" e se sente "cega e surda como uma náusea", confirma que essa familiaridade é exclusiva ao escrever. Assim, a alternativa reflete fielmente o sentido do trecho.

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