Questão FC655354
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O meu ofício O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
O meu ofício
O meu ofício é escrever, e sei bem disso há muito tempo. Espero não ser mal-entendida: não sei nada sobre o valor daquilo que posso escrever. Quando me ponho a escrever, sinto-me extraordinariamente à vontade e me movo num elemento que tenho a impressão de conhecer extraordinariamente bem: utilizo instrumentos que me são conhecidos e familiares e os sinto bem firmes em minhas mãos. Se faço qualquer outra coisa, se estudo uma língua estrangeira, se tento aprender história ou geografia, ou tricotar uma malha, ou viajar, sofro e me pergunto como é que os outros conseguem fazer essas coisas. E tenho a impressão de ser cega e surda como uma náusea dentro de mim.
Já quando escrevo nunca penso que talvez haja um modo mais correto, do qual os outros escritores se servem. Não me importa nada o modo dos outros escritores. O fato é que só sei escrever histórias. Se tento escrever um ensaio de crítica ou um artigo sob encomenda para um jornal, a coisa sai bem ruim. O que escrevo nesses casos tenho de ir buscar fora de mim. E sempre tenho a sensação de enganar o próximo com palavras tomadas de empréstimo ou furtadas aqui e ali.
Quando escrevo histórias, sou como alguém que está em seu país, nas ruas que conhece desde a infância, entre as árvores e os muros que são seus. Este é o meu ofício, e o farei até a morte. Entre os cinco e dez anos ainda tinha dúvidas e às vezes imaginava que podia pintar, ou conquistar países a cavalo, ou inventar uma nova máquina. Mas a primeira coisa séria que fiz foi escrever um conto, um conto curto, de cinco ou seis páginas: saiu de mim como um milagre, numa noite, e quando finalmente fui dormir estava exausta, atônita, estupefata.
(Adaptado de: GINZBURG, Natalia. As pequenas virtudes. Trad. Maurício Santana Dias. São Paulo: Cosac Naify, 2015, p, 72-77, passim)
Ao comparar diferentes modalidades de escrita, a autora afirma que
- sua desenvoltura ao escrever histórias lhe é muito mais natural do que na abordagem de outros tipos de discurso.
- as histórias lhe trazem um prazer maior de escrever quando absorvem a linguagem própria dos ensaios.
- diz coisas mais interessantes a respeito de seu país quando suas histórias se avizinham de um artigo de jornal.
- escrever histórias sempre lhe pareceu tão natural quanto reportar a imaginosa conquista de outros países.
- o conto foi sua primeira especialidade literária, antes de se consagrar com a invenção de novos gêneros literários.
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Gabarito
A
Comentário do professor
Alternativa A afirma que a autora tem maior desenvoltura ao escrever histórias do que em outras modalidades de texto. Essa ideia está explícita no texto.
Ela diz com clareza: "O fato é que só sei escrever histórias." Esse enunciado revela que escrever histórias lhe é algo íntimo e espontâneo.
Ao tratar de outros discursos, relata que precisa "ir buscar fora de mim" e que usa palavras "tomadas de empréstimo ou furtadas", o que sinaliza falta de naturalidade e segurança.
Além disso, compara-se a alguém em seu país quando escreve histórias, mostrando sentimento de pertencimento e facilidade.
Portanto, a inferência correta é que sua prática narrativa é muito mais natural para ela do que a produção de outros tipos de texto.
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