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Questão FC655364

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo. Em torno da pena de morte Numa crônica anterior, comentei um crime bárbaro e evoquei figuras de criminosos repugnantes. Alguns

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Para responder a questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Em torno da pena de morte

 

Numa crônica anterior, comentei um crime bárbaro e evoquei figuras de criminosos repugnantes. Alguns leitores observaram que, de qualquer forma, explicações sociológicas ou psicológicas não valem como desculpas para crimes atrozes. E perguntaram: “Você é contra ou a favor da pena de morte?”

 

Imagine que um deus, um poder absoluto ou um texto sagrado declarem que quem roubar ou assaltar será enforcado, ou terá a mão cortada. Nesse caso, puxar a corda, afiar a faca ou assistir à execução seria simples, pois a responsabilidade moral do veredito não estaria conosco. Nas sociedades tradicionais em que a punição é decidida por uma autoridade superior a todos, as execuções podem ser públicas: a coletividade festeja o soberano que se encarregou da justiça – que alívio!

 

A coisa é mais complicada na modernidade, em que os cidadãos comuns (como você e eu) são a fonte de toda a autoridade jurídica e moral. Hoje, no mundo ocidental, se alguém é executado, o braço que mata é, em última instância, o dos cidadãos – o nosso. Mesmo que o condenado seja indiscutivelmente culpado, pairam mil dúvidas. Matar um condenado à morte não é mais uma festa, pois é difícil celebrar o triunfo de uma moral tecida de perplexidades. As execuções acontecem em lugares fechados, diante de poucas testemunhas: há uma espécie de vergonha. Essa discrição é apresentada como um progresso: os povos civilizados não executam seus condenados nas praças. Mas o dito progresso é, de fato, um corolário das incertezas éticas da nossa cultura.

 

São questões a considerar, creio, antes de responder à pergunta inicial, que me fizeram alguns leitores.

 

(Adaptado de: CALLIGARIS, Contardo. Terra de ninguém. São Paulo: Publifolha, 2004, p. 94-95)

 

A alegação de quem afirma que explicações sociológicas ou psicológicas não valem como desculpa supõe que

  1. inexistem fatores políticos que possam eliminar a culpa de um criminoso.
  2. são inaceitáveis quaisquer razões de ordem moral ou religiosa para amenizar nossas culpas.
  3. não se aceita transferir a responsabilidade da pessoa para fatores ligados à sua formação.
  4. são ilegítimos os fatores biográficos que se alegam para executar alguém.
  5. é impossível concordar com a tese de que todos somos inocentes já por nossa natureza.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

"explicações sociológicas ou psicológicas não valem como desculpa" significa que quem profere essa ideia rejeita transferir a culpa do agente para causas externas. Em outras palavras, mesmo admitindo que fatores sociais ou psíquicos influenciaram o comportamento, esses elementos não exoneram moralmente o autor do ato.

Isso coloca a ênfase na responsabilidade pessoal: a conduta penalmente reprovável continua atribuída ao indivíduo, não à sua história ou ambiente. Um exemplo prático é alguém que, por ter crescido na violência, comete um delito; a influência é considerada, mas não serve para justificar a ação.

Portanto, a alternativa correta sintetiza essa visão: não se aceita deslocar a responsabilidade da pessoa para fatores ligados à sua formação.

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