FC ConcursosFC Concursos

Questão FC655374

Leia o trecho inicial da crônica “Histórias de Zig”, de Rubem Braga, para responder a questão. Um dia, antes do remate de meus dias, ainda jogarei fora esta máquina de escrever e,

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2022

Leia o trecho inicial da crônica “Histórias de Zig”, de Rubem Braga, para responder a questão.

 

Um dia, antes do remate de meus dias, ainda jogarei fora esta máquina de escrever e, pegando uma velha pena de pato, me porei a narrar a crônica dos Braga. Terei então de abrir todo um livro e contar as façanhas de um deles que durou apenas onze anos, e se chamava Zig.

 

Zig – ora direis – não parece nome de gente, mas de cachorro. E direis muito bem, porque Zig era cachorro mesmo. Se em todo o Cachoeiro era conhecido por Zig Braga, isso apenas mostra como se identificou com o espírito da Casa em que nasceu, viveu, mordeu, latiu, abanou o rabo e morreu.

 

Teve, no seu canto de varanda, alguns predecessores ilustres, dos quais só recordo Sizino, cujos latidos atravessam minha infância, e o ignóbil Valente, que encheu de desgosto meu tio Trajano. Não sei onde Valente ganhou esse belo nome; deve ter sido literatura de algum Braga, pois hei de confessar que só o vi valente no comer angu. E só aceitava angu pelas mãos de minha mãe.

 

Um dia, tio Trajano veio do sítio... Minto! Foi tio Maneco. Tio Maneco veio do sítio e, conversando com meu pai na varanda, não tirava o olho do cachorro. Falou-se da safra, das dificuldades da lavoura.

 

– Ó Chico, esse cachorro é veadeiro.

 

Meu pai achava que não; mas, para encurtar conversa, quando tio Maneco montou sua besta, levou o Valente atrás de si com a coleira presa a uma cordinha. O sítio não tinha três léguas lá de casa. Dias depois meu tio levou a cachorrada para o mato, e Valente no meio. Não sei se matou alguma coisa; sei apenas que Valente sumiu. Foi a história que tio Maneco contou indignado a primeira vez que voltou no Cachoeiro; o cachorro não aparecera em parte alguma, devia ter morrido...

 

– Sem-vergonhão!

 

Acabara de ver o Valente que, deitado na varanda, ouvia a conversa e o mirava com um olho só.

 

Nesse ponto, e só nele, era Valente um bom Braga, que de seu natural não é povo caçador; menos eu, que ando por este mundo a caçar ventos e melancolias.

 

(Rubem Braga. 50 crônicas escolhidas. São Paulo: Global Editora, 2021)

 

Depreende-se da crônica que, por

  1. sumir frequentemente, Valente era um bom Braga.
  2. ser medroso, Valente era um bom Braga.
  3. não ser caçador, Valente era um bom Braga.
  4. ser caçador, Valente era um bom Braga.
  5. não ser medroso, Valente era um bom Braga.
Mostrar resposta e comentário

Gabarito

Certo

Comentário do professor

A alternativa C está correta porque o narrador explicita que ser "bom Braga" tem relação com a identidade da família, que não é povo caçador. No trecho o autor afirma: "Nesse ponto, e só nele, era Valente um bom Braga, que de seu natural não é povo caçador", ligando diretamente a ideia de pertença ao comportamento do cão.

O episódio em que Valente é levado à caçada e logo volta para a varanda mostra que ele não participa da prática de caçar; essa atitude reafirma sua condição de membro fiel à característica familiar. Assim, ser um bom Braga aqui significa conformar‑se ao traço comum dos Bragas, isto é, não ser caçador, e não um louvor à coragem ou a outro atributo.

Conteúdo do catálogo FC Concursos · Atualizado em

Continue aprendendo