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Questão FC655427

Considere o texto abaixo para responder a questão. De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu roman

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2021

Considere o texto abaixo para responder a questão.

 

De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.

 

Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.

 

Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.

 

Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.

 

O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”

 

O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.

 

No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.

 

(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)

 

A partir das reflexões do escritor D.H. Lawrence, conclui-se que o romance genuíno não pode prescindir

  1. da liberdade de criação artística.
  2. das ideias preconcebidas do autor.
  3. das regras de composição artística.
  4. do teor de ensinamento filosófico.
  5. dos padrões morais do público leitor.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Liberdade de criação artística é a exigência central do texto para que exista um romance genuíno. Segundo Lawrence, “o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo”, ideia que só se realiza se o criador puder afastar-se de normas, preconceitos e limites morais impostos.

Essa liberdade permite ao romance representar a complexidade humana: ações ambíguas, desejos contraditórios e verdades mutáveis conforme tempo, lugar e circunstância. A arte deixa de ser propaganda ou ensinamento fixo quando o autor tem autonomia para deixar a obra falar por si.

Portanto, a alternativa correta indica que o romance autêntico depende da liberdade de criação artística, condição necessária para que a narrativa surpreenda, contradiga pressupostos e estabeleça novas relações com o leitor e o mundo.

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