Questão FC655436
O elogio do vira-lata e outros ensaios de Eduardo Giannetti. A ciência destrói o seu passado. Os clássicos da literatura científica, como os tratados hipocráticos, o Le Monde de De
Interpretação de Textos (Compreensão)
FCC · 2021
O elogio do vira-lata e outros ensaios
de Eduardo Giannetti.
A ciência destrói o seu passado. Os clássicos da literatura científica, como os tratados hipocráticos, o Le Monde de Descartes ou a Philosophia Botanica de Lineu, foram obras que marcaram época, mas que a passagem do tempo reduziu à condição de peças de antiquário e objeto de interesse restrito a especialistas em história da ciência. Nenhum cientista que se preze aprende o seu ofício destrinchando os clássicos de sua disciplina.
Com a filosofia é diferente. Os clássicos da literatura filosófica, como os diálogos platônicos, as Meditações de Descartes ou o Leviatã de Hobbes, são obras que parecem dotadas do dom da eterna juventude. Embora também se prestem à lupa antiquária do historiador de ideias, elas conseguem de algum modo driblar o tempo e falar diretamente aos espíritos vivos das novas gerações. A filosofia, como a arte, não enterra o seu passado.
A diferença, é certo, resulta em parte da ausência de um critério bem definido de progresso na história da filosofia. Mas não é só. A consciência da nossa ignorância cresce de mãos dadas com o avanço do saber científico. Como observa com certa malícia Adam Smith na Teoria dos Sentimentos Morais, ao comentar a dificuldade de refutar conclusivamente teorias no campo da ética, a progressividade das ciências naturais também reflete a sua maior vulnerabilidade e propensão ao erro.
(GIANNETTI, Eduardo. O elogio do vira-lata e outros ensaios. São Paulo: Companhia das Letras, 2018)
De acordo com o autor,
- a diferença entre ciência e filosofia restringe-se à ausência de um critério bem fundamentado do que seja progresso.
- a ausência de um critério bem definido do que seja progresso acabou por extrapolar o âmbito da filosofia, contaminando a literatura científica.
- a literatura filosófica, ao assumir de forma irrestrita a ideia de progressividade, acabou por alcançar o rigor e a consistência característicos da ciência.
- o avanço do saber científico acabará por resgatar a contribuição decisiva dos clássicos da literatura científica.
- a ausência de uma concepção rigorosa de progressividade no âmbito da filosofia é uma razão pela qual obras filosóficas parecem resistir à passagem do tempo.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A alternativa aponta que a permanência dos clássicos filosóficos se explica, em parte, pela ausência de um critério bem definido de progresso na filosofia. Essa falta de um parâmetro único para dizer o que é avanço permite que questões fundamentais permaneçam em aberto e sejam revisitadas.
Como consequência, os textos clássicos não ficam obsoletos: suas teses continuam a ser reinterpretadas e aplicadas a novos contextos, de modo que os clássicos filosóficos resistem à passagem do tempo e mantêm utilidade para gerações posteriores.
Em suma, sem um conceito rígido de progresso, a filosofia conserva um diálogo contínuo com seu passado, preservando a relevância de obras antigas.
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