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Questão FC655452

Atenção: para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir: O texto não deve ser entendido como um objeto computável. Seria vão tentar separar materialmente as obras dos

Interpretação de Textos (Compreensão)

FCC · 2020

Atenção: para responder a questão abaixo, considere o texto a seguir:

O texto não deve ser entendido como um objeto computável. Seria vão tentar separar materialmente as obras dos textos. Em particular, não se deve ser levado a dizer: a obra é clássica, o texto é de vanguarda; não se trata de estabelecer, em nome da modernidade, um quadro de honra grosseiro e declarar certas produções literárias in e outras out em razão de sua situação cronológica: pode haver “Texto” numa obra muito antiga, e muitos produtos da literatura contemporânea não são em nada textos. A diferença é a seguinte: a obra é um fragmento de uma substância, ocupa alguma porção do espaço dos livros (por exemplo, numa biblioteca). Já o Texto é um campo metodológico. A oposição poderia lembrar (mas de modo algum reproduzir termo a termo) a distinção proposta por Lacan: a “realidade” se mostra, o “real” se demonstra; da mesma forma, a obra se vê (nas livrarias, nos fichários, nos programas de exame), o texto se demonstra, se fala segundo certas regras; a obra segura-se na mão, o texto mantém-se na linguagem: ele só existe tomado num discurso (ou melhor, é o Texto pelo fato mesmo de o saber); o Texto não é a decomposição da obra, é a obra que é a cauda imaginária do Texto. Ou ainda: só se prova o Texto num trabalho, numa produção. A consequência é que o Texto não pode parar (por exemplo, numa prateleira de biblioteca); o seu movimento constitutivo é a travessia (ele pode especialmente atravessar a obra, várias obras).

(BARTHES, Roland. Da obra ao texto. In: O rumor da língua. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2012, p. 67)

Ao conceituar Texto e obra, Roland Barthes efetiva

  1. uma apologia, quando estabelece uma oposição entre os dois conceitos.
  2. uma recomendação, ao indicar metodologicamente como elaborar um texto moderno.
  3. uma informação, destacando os resultados da oposição entre os dois conceitos.
  4. um sofisma, ao concluir a oposição entre os conceitos com a metáfora da travessia.
  5. uma análise, apresentando argumentos que contrapõem os dois conceitos.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Ao conceituar Texto e obra, Barthes realiza uma análise que contrapõe os dois termos.

Para ele, a obra é "um fragmento de uma substância": um objeto material que se vê e ocupa espaço físico, como um livro numa prateleira.

O Texto, por sua vez, é um campo metodológico: mantém‑se na linguagem, só existe tomado num discurso e se demonstra num trabalho.

Barthes enfatiza que o Texto pode atravessar várias obras e não se encerra num suporte físico, enquanto a obra funciona como seu suporte imaginário.

Ao comparar funções e modos de existência — ver versus demonstrar, posse versus linguagem — o autor apresenta argumentos que colocam os conceitos em oposição funcional.

Portanto, a alternativa E resume corretamente essa ação crítica: uma análise que contrapõe Texto e obra.

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