Questão FC655464
Graciliano Ramos: Falo somente com o que falo: com as mesmas vinte palavras girando ao redor do sol que as limpa do que não é faca [...] Falo somente do que falo: do seco e de suas
Tipologia e Gênero Textual
FCC · 2022
Graciliano Ramos:
Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca
[...]
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagre
[...]
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol, pelo gavião e outras rapinas
[...]
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho
O gênero da crônica frequentado tão criativamente por Rubem Braga é um exemplo alto de
- discurso contemporâneo comunicativo, aberto a formas variadas de interação com os leitores, prenunciando assim o caráter democrático da nova arte de tendência inclusiva.
- estilo sublime, disposto a exprimir com a devida solenidade as oscilações angustiosas do espírito moderno, marcado pelo artificialismo dos mais típicos hábitos burgueses.
- modalidade ficcional disposta a se deixar conduzir sobretudo pela paródia e pela ironia que acentuam seu caráter de irredutível crítica dos valores conservadores.
- texto jornalístico capaz de ir além da pura informação, já que esse autor só se vale dela para ultrapassá-la e atingir a qualidade especulativa dos ensaios sociológicos.
- prosa moderna carregada ao mesmo tempo de sentimento poético, impulso reflexivo, melancolia e lúcida observação crítica de fatos e personagens da vida real.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Prosa moderna significa aqui a escrita em prosa que privilegia a concisão, o ritmo e a atenção ao cotidiano. A crônica de Rubem Braga usa essa prosa para transformar pequenas cenas em reflexão intensa.
O sentimento poético aparece no tratamento imagético e sonoro da linguagem: imagens, metáforas e musicalidade que conferem densidade estética a relatos simples.
O impulso reflexivo recolhe impressões pessoais e as amplia em pensamentos universais, convidando o leitor a pensar sobre sentido e memória.
A melancolia é tom frequente, manifestando-se como nostalgia e reconhecimento das perdas, sem romantização.
Finalmente, a observação crítica permanece lúcida e atenta aos personagens e fatos da vida real, combinando empatia e julgamento fino.
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