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Questão FC655473

Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão. Renato Mendonça e A influência africana no português do Brasil, um estudo pioneiro de africanias no português brasileiro A

Paralelismo

FCC · 2022

Atenção: Leia o texto a seguir para responder à questão.

Renato Mendonça e A influência africana no português do Brasil, um estudo pioneiro

de africanias no português brasileiro

 

A partir de uma definição da antropóloga Nina Friedemann em “Comunidades negras: refúgios de africanias na Colômbia”, podemos entender africanias como a bagagem cultural submergida no inconsciente iconográfico dos negroafricanos entrados no Brasil em escravidão, que se faz perceptível na língua, na música, na dança, na religião, no modo de ser e de ver o mundo, e que, no decorrer dos séculos, como forma de resistência e de continuidade na opressão, transformou-se e converteu-se em matrizes partícipes da construção de um novo sistema cultural e linguístico que nos identifica como brasileiros.

 

São essas matrizes que, na década de 1930, o diplomata, escritor e pesquisador alagoano Renato Firmino Maia de Mendonça (1912 – 1990), em sua monografia sobre A influência africana no português do Brasil, trata de pontuar na formação da modalidade da língua portuguesa no Brasil, em nossas tradições orais e na literatura brasileira.

 

Em 1933, a 1ª edição foi publicada pela Gráfica Sauer com prefácio de Rodolfo Garcia, trazendo o mapa da distribuição do elemento negro no Brasil colonial e imperial. Em 1935, sai a 2a edição pela Companhia Editora Nacional, na Coleção Brasiliana, ilustrada com mapas e fotografias e aumentada em dois capítulos, um esboço histórico sobre o tráfico e um ensaio sobre o negro na literatura brasileira. Também de caráter inovadord são os mapas toponímicos com localidades designadas por nomes africanos no Brasil, da autoria do geógrafo Carlos Marie Cantão, que vêm em addendum, ao final do livro. A 3ª edição, de 1948, é publicada no Porto pela Figueirinhas. Em 1972 e 1973, a 2a edição é republicada pela Civilização Brasileira.

 

Ao lado de Jacques Raimundoa, que coincidentemente publicou, pela Renascença, em 1933, O elemento afro-negro na língua portuguesa, a obra de Renato Mendonça é um estudo de referência obrigatória nessa importante área de pesquisa, cuja repercussão científica corresponde a menos do que seu valor real, em razão da tendência de esse conhecimento ser considerado, por linguistas e filólogos, mais como objeto de pesquisa dos africanistas e dos especialistas em estudos “afro-brasileiros” – assim denominados como uma palavra composta de acordo com a grafia consagrada e recomendada pelo recente acordo ortográfico. Neste contexto, separado por um traço de união em lugar simplesmente de se escrever afrobrasileiros, o termo afro, tratado como um prefixo, reflete de maneira subliminar aquela tendência. Destaca-se como se fosse um aparte eventual no processo e não a parte afrobrasileira inscrita em nossa identidade cultural e linguística.

 

Dentro desse plano de entendimento, Renato Mendonça coloca e avalia a interferência que aquelas vozes de mais de quatro milhões de negros escravizados, no decorrer de três séculos consecutivos, imprimiram naquela língua portuguesa que eles foram obrigados a falar como segunda língua no Brasil. Ao mesmo tempo, Mendonça enriquece e alarga suas análises baseado em uma bibliografia ainda hoje consistente e de grande valia para os estudos atuais sobre a história e a etnografia africanas e suas línguas, principalmente sobre as que foram faladas no Brasil, as quais ele adequadamente chama de negroafricanas.

 

(Adaptado de: CASTRO, Yeda Pessoa de.

Prefácio − Renato Mendonça e A influência africana no português do Brasil, um estudo pioneiro de africanias no português brasileiro. In: Mendonça, Renato. A influência africana no Português do Brasil. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012, p. 15-16)

Observações:

1. Addendum: adendo, apêndice.

 

Está correto o seguinte comentário sobre o texto:

  1. O fragmento Ao lado de Jacques Raimundo... manteria o paralelismo sintático se o trecho grifado fosse substituído por “da de”.
  2. Coloca é usado no texto com o mesmo sentido visto em: “Coloquei minhas ressalvas de lado quando ele explicou o projeto”.
  3. No contexto, os itens coordenados em resistência e continuidade poderiam ser sintetizados por “resiliência”, característica sistematicamente associada no texto aos afro-brasileiros.
  4. Também de caráter inovador traz o implícito de comparação dos elementos analisados com as inovações que o campo de estudos tem experimentado atualmente.
  5. A opção pelo termo addendum, em latim, revela um processo de variação: ele é usual entre os falantes do português do Brasil das faixas etárias mais elevadas, familiarizados com o antigo idioma.
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Gabarito

A

Comentário do professor

Alternativa A está correta porque a inclusão de da restaura o substantivo elíptico (obra), tornando as duas sequências sintaticamente equivalentes.

Sem o artigo, o trecho inicial remete apenas à pessoa “Jacques Raimundo”. Ao inserir da, temos “Ao lado da (obra) de Jacques Raimundo”, o que cria, por elipse, o sintagma nominal paralelo a “a obra de Renato Mendonça”.

Esse ajuste preserva o paralelismo sintático: ambas as partes passam a ser núcleos nominais com artigo + substantivo (implícito no primeiro caso) + complemento “de X”. Assim, a construção ganha clareza e simetria formal.

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