Questão FC655474
Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2026
Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
[Em busca da origem da desigualdade social]
A pesquisa que culminou na escrita deste livro - O despertar de tudo - começou quase uma década atrás, basicamente como uma forma de brincadeira. No princípio, nós nos lançamos a isso, cabe reconhecer, num espírito de ligeiro desvio das nossas responsabilidades acadêmicas mais "sérias". Acima de tudo, estávamos curiosos para ver como as novas evidências arqueológicas que se acumularam nas três últimas décadas poderiam modificar nossas concepções dos primórdios da história humana, sobretudo os aspectos associados às discussões sobre as origens da desigualdade social.
Não demorou, contudo, para se tornar óbvio a potencial relevância do que estávamos empreendendo, pois quase ninguém mais em nossas disciplinas parece dedicado a esse trabalho de síntese. Com frequência ficamos surpresos ao buscar em vão por livros que supúnhamos existir, mas que na verdade sequer haviam sido escritos - por exemplo, compêndios das cidades primitivas desprovidas de governo fortes, exercidos de cima para baixo, ou relato de processos democráticos de tomada de decisão na África ou na América.
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores: trata-se apenas da inexistência de uma linguagem apropriada para dar conta de determinadas estruturas sociais.
Como, por exemplo, nos referimos a uma "cidade desprovida de estruturas de governo de cima para baixo"?
No momento, ainda não há um termo de aceitação geral. Nos arriscaríamos a chamar isso de "democracia"? Ou "república"? Caberia dizer "cidade igualitária"? Mas isso implicaria o ônus de provar que a cidade era "de fato" igualitária - o que significaria, na prática, demonstrar que nenhum elemento de desigualdade estrutural estava presente em qualquer aspectos da vida de seus habitantes, incluindo grupos familiares e práticas religiosas. Dada a raridade, ou mesmo inexistência de tais evidências, seria inevitável e conclusão de que afinal essas cidades não tinham nada de igualitário. Trata-se, enfim, de considerar que a existência de civilizações originalmente não marcadas pela desigualdade social pode não ser mais do que um mito a ser desmontado.
(Adaptado de: GRAEBER, David, e WENGROW, David. O despertar de tudo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2022, p. 552)
No final, concluímos que essa relutância em sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma reticência por parte de pesquisadores.
A frase acima manterá seu sentido e sua correção caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- indiferença por - indecisão
- disposição para com - falta de interesse
- disposição em - ausência por culpa
- resistência a - hesitação
- inclinação para - omissão deliberada
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Gabarito
D
Comentário do professor
Relutância e resistência são termos equivalentes neste contexto: ambos indicam oposição ou falta de vontade em realizar algo. Assim, substituir relutância em por resistência a preserva o sentido de recusa ou dificuldade em sintetizar informações.
Reticência denota reserva ou prudência em manifestar-se, isto é, uma atitude de dúvida ou indecisão. Por isso, a troca por hesitação mantém a ideia de que os pesquisadores mostravam certa dúvida ou timidez em abordar o tema.
Com as substituições, a frase fica coerente e gramatical: "No final, concluímos que essa resistência a sintetizar informações básicas não se devia apenas a uma hesitação." Essa versão conserva o mesmo sentido explicativo do original, sem alterar a relação lógica entre as partes.
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