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Questão FC655484

Atenção: Para responder à questão de abaixo, baseie-se no texto seguinte. Memórias sem imaginação Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2026

Atenção: Para responder à questão de abaixo, baseie-se no texto seguinte.

Memórias sem imaginação

 

Fiquei entusiasmadíssimo com recursos da internet, quando finalmente comecei a me valer deles, tempos atrás. Pois não é que de repente passei a ter acesso a imagens e sons de um passado que dava por perdidoC? Ruas antigas, objetos da casa desaparecida, ingênuos anúncios, canções marcantes, utensílios domésticos carregados de magia – tudo se estampava agora em imagens nítidas e voltava em sons precisos, por meio de plataformas eletrônicas. O mundo das imagens e das ondas sonoras da minha infância e de antes dela estava ali, a um toque do milagre digital.

 

Mas de repente... Mas de repente comecei a me afogar nesse repertório inesgotável de sensaçõesD, que eu podia repetir tanto quanto quisesse. E comecei a dar pela falta de um elemento fundamental para a vida da memória afetiva: o imaginário nosso que é parte dela. A força mecânica das coisas recuperadas num buscador digital não trazia consigo a alma da minha imaginação, aquela de quando eu ia me lembrando de algo contando apenas com minha memória interiorizada, sem signos ostensivos. De repente, a exposição iluminada das coisas mágicas do meu passado era solar demais, impunha suas imagens à minha imaginação, a riqueza do passado me aparecia agora esbanjada, perdulária, barateada... Faltava às lembranças digitalizadas a hesitaçãoE na escolha dos detalhes, a invenção necessária para cobrir lacunas, a dificuldade laboriosa da tentativa de remontagem das antigas experiências. Faltava, em cada imagem exibida e inconteste, a construção compensatória do meu imaginário.

 

Não estou sendo ingrato. Aos canais de música não tenho como agradecer por abrir um leque incomensurável das composições que o mundo já conheceu e está conhecendo. Mas no campo da memória pessoal, a contundência dos arquivos implacáveis da internet suprime os vazios humanizantes da nossa memória que, segundo Bergson, corta e costura o passado segundo convocações do presente – convocações pessoais e intransferíveis. Colocando diante de nós as marcas físicas de nosso passado, a digitalização computacional suprime as franjas e as sombrasB que eram parte fundamental de cada lembrança afetiva. Para me proporcionar todas as visões do passado, o computador precisa que eu escancare os olhos e me deixe cegar com tanta iluminação. Fica comigo, no entanto, a saudade da memória que eu praticava misturando lembrança e imaginação, me valendo da riqueza comovente dos vazios que eu me esmerava em preencher. Fica comigo a memória da memória que era a minha.A

 

(Almino Valares, a editar)

 

Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:

  1. Fica comigo a memória da memória que era minha  = conservo a lembrança do meu modo de lembrar.
  2. a digitalização computacional suprime as franjas e as sombras  = a computação digital perverte as bordas obscuras.
  3. um passado que dava por perdido  = me ocorria por meio de uma perda pretérita.
  4. nesse repertório inesgotável de sensações  = em tal mostruário de concepções infindas.
  5. Faltava às lembranças digitalizadas a hesitação  = não restava a dúvida de digitar lembranças.
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Gabarito

A

Comentário do professor

"Fica comigo a memória da memória que era minha" significa conservar não apenas recordações de fatos, mas a lembrança do modo como esses fatos eram evocadas.

Em outras palavras, trata-se de metamemória: a consciência e o sentimento sobre o próprio ato de lembrar.

Ao propor a equivalência conservo a lembrança do meu modo de lembrar, preserva-se o sentido original de que o narrador guarda a experiência íntima e singular da evocação, marcada pela hesitação, pela imaginação e pelos vazios preenchidos.

O complemento "que era minha" reforça o caráter pessoal e intransferível dessa prática memorativa, que a digitalização ameaçou substituir, mas não conseguiu extinguir na subjetividade do eu.

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