Questão FC655486
Leia o texto. Da desigualdade entre os homens Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualid
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2026
Leia o texto.
Da desigualdade entre os homens
Disse Plutarco que a diferença entre um animal e outro é menor do que a que vai de um a outro homem. Referia-se ele à alma e às qualidades intelectuais. Por mim, não hesitaria em ser mais peremptório, dizendo que a diferença entre tal e tal homem é maior do que entre tal homem e tal bicho. O espírito humano comporta tantos graus quantas braças vão daqui ao céu.
No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira. Elogiamos um cavalo por ser vigoroso e ágil, e não por causa do arreio; elogiamos o galgo pela velocidade e não pela coleira; por que, pois, não apreciarmos o homem pelas suas qualidades específicas? É necessário julgar o homem em si e não pelos seus adornos. Como diz espirituosamente um filósofo do passado: “Sabeis por que achais grande esse homem? Porque o medis com o pedestal.”
Os cortesãos elogiavam uma de feita o imperador Juliano porque se esforçava por ser justo. “Orgulhar-me-ia de vossas louvações — disse — se viessem de pessoas que ousassem denunciar e censurar meus atos, caso me conduzisse de outra maneira.” Os aduladores de Alexandre, o Grande, repetiam-lhe sem descontinuar que ele era filho de Júpiter. Certa vez, olhando o sangue que lhe escorria de um ferimento, disse ele: “Então, que vos parece? Não achais que é um sangue vermelho como o de qualquer ser humano? Ou ele é da cor do sangue que o poeta Homero põe nos ferimentos dos deuses?”
Se um homem não tiver valor próprio não lho dará o império do mundo. Mesmo que as jovens o disputem, que por toda parte nasçam rosas sob seus pés, de que servirá tudo isso se tem a alma grosseira e o espírito lerdo? Sem vigor e sem espírito não se chega a sentir a plena felicidade, sequer a volúpia. O valor das coisas depende de quem as possui: boas para os que sabem utilizá-las, são más para quem as emprega mal. Para saborear os bens, quaisquer que sejam os que nos outorga o destino, cumpre ter o bom sentimento que a sensação cria.
(Adaptado de: MONTAIGNE, Michel. Ensaios. São Paulo: Editora 34, 2016. p. 287-294, passim)
No que concerne à apreciação das coisas, é espantoso que tudo julgando pelas suas qualidades específicas não nos encaremos da mesma maneira.
Preservam-se o sentido e a correção da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados, na ordem dada, por:
- Ao se falar sobre a – julgue-se tudo – nos juguemos
- Tendo em vista a – julguem a tudo – identificamo-nos
- Quando se trata da – ao julgarmos tudo – nos reconheçamos
- Ao que tange na – por julgar em tudo – admitimo-nos
- No respeito da – tendo tudo julgado – nos confrontemos
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A alternativa C preserva sentido e correção porque integra três escolhas sintáticas adequadas: Quando se trata da estabelece a expressão idiomática correta (tratar-se de + substantivo), com a contração da em acordo com apreciação.
Ao julgarmos tudo é construção válida: trata‑se do infinitivo pessoal (forma verbal com desinência pessoal) que indica ação concomitante em relação à oração principal e mantém a ordem e a função originais.
Não nos reconheçamossubjuntivo presente porque a oração vem introduzida por expressão de surpresa (é espantoso que); assim, a forma verbal preserva o sentido de hipótese/irrealidade implícito no original.
Em conjunto, as três escolhas mantêm coesão, concordância e o registro culto do período, reproduzindo fielmente a ideia do texto.
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