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Questão FC655489

- Considere o texto abaixo para responder a questão. A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva d

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2026

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Considere o texto abaixo para responder a questão.

 

A Grécia clássica experimentou uma deificação da saúde: Higeia, filha de Asclépio, o deus da medicina, personificava a dádiva do pai, como deusa da saúde, limpeza e sanidade, e seu culto foi introduzido em Atenas por volta do ano 420 a.C.

 

Higeia sugeria misteriosamente a escolha dos alimentos necessários à existência e os remédios apropriados aos males. Ela também sustentava a força dos mortais, prevenindo as doenças. Não estamos propondo que a criação do mito de Higeia foi influenciada pela medicina dietética ou vice-versa. Para fazer tal afirmação, precisaríamos saber com certeza a data do surgimento de cada um deles. Mas parece que a Grécia dos séculos V e IV a.C. foi também a “Grécia da saúde”.

 

A medicina dietética, com suas técnicas de prevenção da saúde, estendeu seu poder de influência em diversas áreas da vida humana: alimentação, relações sexuais, banhos e exercícios. A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades. No Corpus hippocraticum, a palavra diaita aparece com o sentido de “tratamento”, mas a dietética não possuiria somente fins terapêuticos: ela serviria para preservação e promoção da saúde, bem como a prevenção das doenças.

 

A vida do homem estava então “medicalizada”, a ponto de trocar a prática da virtude e da política pelo cuidado com a saúde. De acordo com Platão, o advento da medicina dietética fez o rico se tornar “nosotrófico”. Platão cunha a palavra “nosotrofia”, isto é, o ato de criar ou alimentar as doenças. Segundo ele, os ricos abandonaram suas obrigações com a pólis para cuidar de sua saúde, esquivando-se de responsabilidades: *[...] é o que se observa principalmente com esse cuidado excessivo do corpo, que vai muito além dos exercícios usuais de ginástica. Prejudica até mesmo os trabalhos de casa, o serviço nas campanhas militares e as obrigações civis em tempo de paz” (Platão, República, 407b).

 

Hoje, de formas diferentes, o culto à saúde continua. As estratégias de marketing das empresas farmacêuticas almejam as pessoas saudáveis. Qualquer queixa é transformada em sintoma. “O rolo compressor das campanhas publicitárias [...) transforma as pessoas saudáveis em doentes preocupados”, segundo Moynihan e Wasmes. Ainda hoje, a medicina busca certa primazia sobre a vida do ser humano, mesmo que ele não esteja doente. O pano de fundo é, de certo modo, semelhante ao da Grécia clássica.

 

(Adaptado de: MATSUI, Sussumo. “O mito de Higeia e a medicina dietética..." Revista Estética Semiótica, v. 6, n. 2, 2016)

 

Uma nova redação para o trecho A dietética foi propícia para se construir uma medicina social que interagiu nos costumes com o pretexto de curar as enfermidades, que mantém a correção e, em linhas gerais, o sentido original, encontra-se em:

  1. Com o objetivo de curar enfermidades, uma medicina social, cuja formação foi favorecida pela dietética, passou a fazer parte dos costumes.
  2. A fim de curar enfermidades, a dietética deu origem a uma medicina popular, que, para tanto, teve papel semelhante aos costumes.
  3. A dietética oportunizou a criação de uma medicina social que interagia com os costumes, cujo ensejo era a cura das doenças.
  4. A criação de uma medicina social pela dietética, a qual tomou parte dos costumes, tinha por escopo a cura das enfermidades.
  5. A propensão da dietética para que se desenvolvesse uma medicina social, a relacionar-se com os costumes, tinha o objetivo de curar as doenças.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa apresenta uma reescrita fiel ao original ao manter a relação de causa entre dieta e surgimento da medicina social: a expressão "cuja formação foi favorecida pela dietética" preserva a ideia de que a dietética propiciou essa construção.

Ao trocar "com o pretexto de curar as enfermidades" por "Com o objetivo de curar enfermidades", mantém-se a noção de finalidade, suficientemente próxima ao sentido do texto, sem alterar a intenção comunicativa.

A locução "passou a fazer parte dos costumes" preserva a ideia de interação entre a medicina social e os hábitos coletivos, apresentando-o de forma clara e gramaticalmente correta.

Portanto, a frase conserva coerência semântica, relação causal e naturalidade sintática, justificando sua escolha como equivalente adequada.

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