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Questão FC655515

A força do limite e o limite da força Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2025

A força do limite e o limite da força

 

Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos usos que fazemos da palavra limite: ela tanto serve a uma acusação como a um abono. Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. Mas dizer que alguém tem consciência de seus limites soará como um elogio. Agir na medida dos próprios limites é um traço de maturidade e sabedoria. Não queremos ser limitados. mas concordamos que é importante considerar o limite como um valor social.

 

Para um artista, por exemplo, torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite para sua arte. Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte. O escultor dará limites a uma pedra de mármore, o músico às notas de uma canção, o escritor, as palavras. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites.

 

Há um exemplo célebre para essa última afirmação. O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um "poeta menor", devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano. Atento aos nossos mais sensíveis limites humanos, encontrou e nos revelou a poesia grande das pequenas coisas e das criaturas humildes.

 

Na vida social, na ordem pública, a noção de limite é um dos fundamentos da própria sociabilidade. Os instrumentos da necessária manutenção dos limites civilizatórios são os preceitos jurídicos. Cabe aos agentes da ordem e da segurança social resguardá-los, assegurando seu cumprimento por todos. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força, cujo emprego disciplinado não deixa de estar sujeito a precisos limites. É o reconhecimento do limite da força que legitima o combate a quem despreza quaisquer limites. Não será um mero jogo de palavras, certamente, afirmar que o limite da força é, em última análise, a força mesma do limite, sem o qual não sobreviveria nenhuma instituição humana criada para dar seguimento ao curso do processo civilizatório

 

(Aristofanes Medeiros, a editar)

 

É correta e coerente, no contexto, a substituição do elemento sublinhado pelo elemento indicado entre parênteses em:

  1. Manuel Bandeira dizia-se um “poeta menor”, devido à atenção que dava ás coisas simples. (em razão da)
  2. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. (ao passo que)
  3. Se você dissera uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. (haja vista)
  4. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites. (ainda que pelo)
  5. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrerem à força. (ainda assim)
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Gabarito

A

Comentário do professor

Em razão da é adequada porque preserva o sentido causal expresso por devido à. Ambas são locuções prepositivas que indicam a causa: equivalem a "por causa de" ou "por motivo de".

Gramaticalmente, mantêm a mesma regência e concordância com o substantivo seguinte. Como "atenção" é feminino, ocorre a contração em ambas as formas (devido à atenção, em razão da atenção), o que garante a correção morfossintática.

Em termos de registro, as duas locuções são formais e adequadas ao contexto do texto, mantendo a clareza e a relação de causa entre a atitude do poeta e o que ele valorizava.

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