Questão FC655522
Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvi
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2022
Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvirmos histórias de adultos impacientes, que comumente iniciam projetos e os abandonam no meio do caminho. Apresentam altos e baixos, são impulsivos, esquecem compromissos, falam o que lhes dá na telha. Comportamentos como esses são característicos do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), classificado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA).
Quando se pensa em TDAH, logo vêm à mente imagens de um cérebro em estado de caos. Diante dessa visão restrita, pode-se ter a ideia errônea de que pessoas com TDAH estariam fadadas ao fracasso; mas, ao contrário disso, grande parte delas atuam nas mais diversas áreas profissionais de forma brilhante.
Muitas teorias têm sido elaboradas para elucidar a origem do sucesso obtido por personalidades com comportamento TDAH nos mais diversos setores do conhecimento. Porém, a ciência não tem uma explicação exata para esse fato; até porque o funcionamento cerebral humano não segue nenhuma lógica aritmética previsível. Ideias, sensações e emoções não podem ser quantificadas; são características humanas imensuráveis. Nesse território empírico, uma coisa é certa: o funcionamento cerebral TDAH favorece o exercício da mais transcendente atividade humana: a criatividade.
Se entendermos criatividade como a capacidade de ver os mais diversos aspectos da vida através de um novo prisma e então dar forma a novas ideias, notaremos que a mente TDAH, em meio à confusão resultante do intenso bombardeio de pensamentos, é capaz de entender o mundo sob ângulos habitualmente não explorados.
A hiper-reatividade é responsável pela capacidade da mente TDAH de não parar nunca. Trata-se de uma hipersensibilidade que essa mente possui de se ligar a tudo ao mesmo tempo. Uma vez que está sempre reagindo a si mesma, essa mente pensa e repensa o tempo todo. Esse estado de inquietação mental permanente mantém toda uma rede de pensamentos e imagens em atividade intensa, proporcionando, assim, o terreno ideal para o exercício da criatividade.
(Adaptado de: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas: TDAH − desatenção, hiperatividade e impulsividade. São Paulo: Globo, 2014, edição digital)
Mantém-se a correção e, em linhas gerais, o sentido na redação alternativa do seguinte segmento:
- e os abandonam no meio do caminho (1o parágrafo) = e lhes deixam inacabados
- o que lhes dá na telha (1o parágrafo) = o que ocorre a eles
- em meio à confusão resultante (4o parágrafo) = diante da incoerência reinante
- Diante dessa visão restrita (2o parágrafo) = Devido à essa perspectiva errônea
- características humanas imensuráveis (3o parágrafo) = qualidades humanas desperdiçadas
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa B mantém o sentido original porque traduz corretamente a expressão coloquial “o que lhes dá na telha” por “o que ocorre a eles”, preservando tanto a ideia quanto a função sintática.
Sintaticamente, o pronome “lhes” é objeto indireto equivalente a “a eles”. Na locução “dar na telha” o verbo dar rege objeto indireto no sentido de “ocorrer a alguém”, isto é, algo que vem à mente ou que a pessoa faz por impulso.
Exemplo: “Eu faço aquilo que me ocorre” = “Eu faço aquilo que me dá na telha”. Assim, a reescrita proposta conserva correção gramatical e significado.
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