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Questão FC655528

Considere o texto abaixo, do pensador francês Voltaire (1694-1778), para responder à questão. O preço da justiça Vós, que trabalhais na reforma das leis, pensai, assim como grande

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2022

Considere o texto abaixo, do pensador francês Voltaire (1694-1778), para responder à questão.

 

O preço da justiça

 

Vós, que trabalhais na reforma das leis, pensai, assim como grande jurisconsulto Beccaria, se é racional que, para ensinar os homens a detestar o homicídio, os magistrados sejam homicidas e matem um homem em grande aparato.

 

Vede se é necessário matá-lo quando é possível puni-lo de outra maneira, e se cabe empregar um de vossos compatriotas para massacrar habilmente outro compatriota. [...] Em qualquer circunstância, condenai o criminoso a viver para ser útil: que ele trabalhe continuamente para seu país, porque ele prejudicou o seu país. É preciso reparar o prejuízo; a morte não repara nada.

 

Talvez alguém vos diga: “O senhor Beccaria está enganado: a preferência que ele dá a trabalhos penosos e úteis, que durem toda a vida, baseia-se apenas na opinião de que essa longa e ignominiosa pena é mais terrível que a morte, pois esta só é sentida por um momento”.

 

Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil. O grande objetivo, como já dissemos em outra passagem, é servir o público; e, sem dúvida, um homem votado todos os dias de sua vida a preservar uma região da inundação por meio de diques, ou a abrir canais que facilitem o comércio, ou a drenar pântanos infestados, presta mais serviços ao Estado que um esqueleto a pendular de uma forca numa corrente de ferro, ou desfeito em pedaços sobre uma roda de carroça.

 

(VOLTAIRE. O preço da justiça. Trad. Ivone Castilho Benedetti. São Paulo: Martins Fontes, 2001, p. 18-20)

 

A frase Não se trata de discutir qual é a punição mais suave, porém a mais útil ganha uma nova redação, na qual se mantêm sua correção e seu sentido em:

  1. Não se discute que a punição seja mais suave, no caso da mesma ser mais útil.
  2. Uma vez que seja mais útil, não importa que a punição seja ainda mais suave.
  3. É o caso de se discutir qual punição é a mais útil, e não a mais suave.
  4. Uma vez que seja mais útil, não se discuta se a punição é mais suave.
  5. Não vem ao caso uma punição na qual seja mais suave, porquanto mais útil.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A reescrita É o caso de se discutir qual punição é a mais útil, e não a mais suave preserva tanto a correção gramatical quanto o sentido do original.

Ambas as versões mantêm a estrutura impessoal: o foco não é iniciar uma discussão sobre brandura da pena, mas priorizar a utilidade da punição. A conjunção e não estabelece claramente a oposição entre os dois critérios.

Do ponto de vista sintático, a construção com é o caso de se discutir equivale à ideia de não se trata de discutir..., funcionando como locução expletiva impessoal. A expressão interrogativa qual punição é a mais útil conserva o mesmo referente do original.

Assim, a alternativa é correta por conservar significado, estrutura impessoal e adequação normativa da frase.

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