Questão FC655541
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. O exercício da crônica Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancis
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
O exercício da crônica
Escrever prosa é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como faz um cronista; não a prosa de um romancista, na qual este é levado pelas personagens e situações que criou.
Alguns cronistas escrevem de maneira simples e direta, sem caprichar demais no estilo, mas enfeitando-o aqui e ali desses pequenos achados que são sua marca registrada. Outros, de modo lento e elaborado, que o leitor deixa para mais tarde como um convite ao sono. Outros ainda, e constituem a maioria, “tacam o peito” na máquina de escrever e cumprem o dever cotidiano da crônica como uma espécie de desespero, numa atitude de “ou vai ou racha”.
Há os eufóricos, cuja prosa procura sempre infundir vida e alegria em seus leitores; e há os tristes, que escrevem com o fito exclusivo de desanimar a gente não só quanto à vida, como quanto à condição humana e às razões de viver. Há também os modestos, que ocultam cuidadosamente a própria personalidade atrás do que dizem; em contrapartida, os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa e colocam-se como a personagem principal de todas as situações.
Como se diz que é preciso um pouco de tudo para fazer um mundo, todos esses “marginais da imprensa”, por assim dizer, têm o seu papel a cumprir. Uns afagam vaidades, outros as espicaçam; este é lido por puro deleite, aquele por puro vício. Mas uma coisa é certa: o público não dispensa a crônica, e o cronista afirma-se cada vez mais como o cafezinho quente logo pela manhã.
Coloque-se porém, ó leitor, ingrato leitor, no papel do cronista. Dias há em que, positivamente, a crônica “não baixa”. O cronista levanta-se, senta-se, levanta de novo, chega à janela, põe um disco na vitrola, dá um telefonema, relê crônicas passadas em busca de inspiração – e nada. Aí então, se ele é cronista de verdade, ele se pega pela gola e diz: “Vamos, escreve, ó mascarado! Escreve uma crônica sobre essa cadeira que está à sua frente, e que ela seja bem feita e divirta seus leitores!” E o negócio sai de qualquer maneira.
(Adaptado de: MORAES, Vinícius de. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 103-104)
Considerando o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- pequenos achados que são sua marca registrada (2o parágrafo) = detalhes criativos que fazem seu estilo.
- infundir vida e alegria em seus leitores (3o parágrafo) = dirimir a vitalidade e a euforia de seu público.
- com o fito exclusivo de desanimar (3o parágrafo) = no intento fortuito de desacreditar.
- os vaidosos castigam no pronome da primeira pessoa (3o parágrafo) = os orgulhosos se penitenciam pelo descuido pronominal.
- Uns afagam vaidades, outros as espicaçam (4o parágrafo) = uns propiciam futilidades, outros se ressentem de sua falta.
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Gabarito
A
Comentário do professor
"Pequenos achados que são sua marca registrada" traduz-se adequadamente por detalhes criativos que fazem seu estilo porque conserva tanto o sentido literal quanto o valor avaliativo do original.
O substantivo achados implica descobertas ou recursos surgidos espontaneamente no texto, geralmente furtivos e inventivos. O adjetivo pequenos indica sutileza ou frequência pontual desses elementos.
Marca registrada remete a uma característica recorrente e identificadora do cronista. Assim, a expressão inteira aponta para traços estilísticos breves e inventivos que caracterizam sua escrita.
Portanto, detalhes criativos que fazem seu estilo preserva a denotação e a conotação do trecho, mantendo a ideia de originalidade e assinatura pessoal na prosa do cronista.
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