Questão FC655543
A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de out
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[Religiões e progresso]
É conhecida a tese de que nas sociedades pré-modernas, como o medievo europeu ou as culturas ameríndias e africanas tradicionais, a religião não tem uma existência à parte das demais esferas da vida, não é um nicho compartimentalizado de devoção e celebração ritual demarcado no tempo e no espaço, mas está integrada à textura do cotidiano comum e permeia todas as instâncias da existência.
A separação radical entre o profano e o sagrado – entre o mundo secular regido pela razão, de um lado, e o mundo da fé, regido por opções e afinidades estritamente pessoais, de outro – seria um traço distintivo da moderna cultura ocidental. Mas será isso mesmo verdade? Até que ponto o mundo moderno teria de fato banido a emoção religiosa da vida prática e confinado a esfera do sagrado ao gueto das preces, contrições e liturgias dominantes? Ou não seria essa compartimentalização, antes, um meio de apaziguar as antigas formas de religiosidade e ajustar contas com elas ao mesmo tempo em que se abre e se desobstrui o terreno visando a liberação da vida prática para o culto de outros deuses e de outra fé?
Não se trata, é claro, de negar o valor desses outros deuses: a ciência, a técnica, o conforto material, a sede de acumulação de riquezas. O equívoco está em absolutizar esses novos deuses em relação a outros valores, e esperar deles mais do que podem oferecer. A ciência jamais decifrará o enigma de existir; a tecnologia não substitui a ética; e o aumento indefinido de renda e riqueza não nos conduz a vidas mais livres, plenas e dignas de serem vividas, além de pôr em risco o equilíbrio mesmo da bioesfera.
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 152-153)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- à parte das demais esferas da vida (1o parágrafo) = além dos outros círculos vitais
- não é um nicho compartimentalizado (1o parágrafo) = não é um recinto inapropriado
- mundo secular regido pela razão (2o parágrafo) = vida antiga tomada pelo bom senso
- afinidades estritamente pessoais (2o parágrafo) = identificações tão somente particulares
- confinado a esfera do sagrado (2o parágrafo) = considerado o âmbito da sacralização
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Gabarito
D
Comentário do professor
"afinidades estritamente pessoais" e sua versão proposta "identificações tão somente particulares" são equivalentes porque trocam termos sem alterar o sentido central. Afinidades remete a laços de simpatia ou identificação; identificações recupera essa mesma ideia de vínculo interior entre sujeito e crença.
O segmento adverbial estritamente pessoais enfatiza exclusão e privacidade. Tão somente particulares reproduz a mesma limitação: indica que se trata de escolhas ou inclinações exclusivas do indivíduo, não de fatores públicos ou institucionais.
No contexto do texto, a equivalência preserva a nuance crítica do autor: a religiosidade reduzida à esfera privada. A versão indicada é, portanto, fiel lexicalmente e adequada no registro.
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