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Questão FC655544

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Sombra Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só pod

Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.

FCC · 2022

Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

 

Sombra

 

Sombra, explicava a sabida boneca Emília, de Monteiro Lobato, é ar preto. Criança, não me tranquilizei: do escuro só podiam surgir fantasmas, apagar a luz era dar uma oportunidade aos duendes e demônios do quarto. Só a luz possuía o dom confortante de tocar deste mundo os habitantes do outro.

 

No ginásio, estudante de Física, não me tranquilizei. Sombra é o resultado da interposição de um corpo opaco entre o observador e o corpo luminoso, sinal de que muitos corpos luminosos deixam de banhar-nos com sua luz desejável, sinal de que nos faltam felicidades, de que muitos sóis necessários se interromperam em sua viagem até nossos olhos.

 

Não perguntar o que um homem possui, mas o que lhe falta. Isso é sombra. Não indagar de seus sentimentos, mas saber o que ele não teve a ocasião de sentir. Sombra. Não se importar com o que ele viveu, mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu de encontro a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas. Enquadrá-lo em sua constelação particular, saber se nasceu muito cedo para receber a luz da estrela ou se chegou ao mundo quando de há muito se extinguiu o astro que deveria iluminá-lo.

 

Ontem vi uma menininha descobrindo sua sombra. Ela parava de espanto, olhava com os olhos arregalados, tentava agarrar a sombra, andava mais um pouco, virava de repente para ver se o seu fantasma ainda a seguia. Era a representação dramática de um poema infantil de Robert Stevenson, no qual uma menininha vai e vem, rodeando, saltando, gesticulando com seus bracinhos diante de sua sombra, implorando por uma explicação impossível, dançando um balé que será a sua própria vida.

 

(Adaptado de: CAMPOS, Paulo Mendes. Os sabiás da crônica. Antologia. Org. Augusto Massi. Belo Horizonte: Autêntica, 2021, p. 211-212)

 

No contexto do 3o parágrafo, as frases iniciadas por “Não perguntar”, “Não indagar” e “Não se importar” teriam seu sentido explicitado e preservado caso essas formas negativas fossem antecedidas por esta abertura:

  1. Trata-se, imperativamente, de
  2. É inconveniente que se passe
  3. Evite-se, em qualquer caso,
  4. Não seria razão para
  5. Imaginemos o absurdo de
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Gabarito

A

Comentário do professor

Trata-se, imperativamente, de introduz uma explicação ou determinação e exige complemento introduzido pela preposição de. Assim, a sequência correta aparece como Trata-se, imperativamente, de não perguntar, de não indagar e de não se importar, em que a oração nominalizada funciona como objeto da locução.

O advérbio imperativamente confere valor modal de ordem ou recomendação, compatível com os infinitivos negativos que seguem. A construção mantém a coerência sintática e a parallelidade entre as ações negativas, evitando ambiguidades.

Em suma, essa abertura preserva o sentido original: afirma-se, de modo enfático, que a atitude exigida é a de não perguntar, não indagar e não se importar, com correção gramatical e clareza.

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