Questão FC655565
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo. Instintos e (des)civilização Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta
Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
FCC · 2022
Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Instintos e (des)civilização
Quão robusta é a ordem civilizatória ocidental? A julgar pelo século XX e mesmo sem levar em conta as duas guerras mundiais, talvez menos do que pareça. O padrão é conhecido: situações de conflito armado, morticínios, cataclismos naturais, migrações dramáticas, colapsos econômicos agudos. São fatos que revelam a fragilidade da fina superfície de civilidade e decoro sobre a qual assenta a nossa civilização.
Sob o impacto do abalo provocado por desastres como esses, o comportamento das pessoas sofre uma drástica mutação: enquanto alguns, em geral poucos, agem de forma solidária e até mesmo heroica, a maior parte da população atingida regride a um estado de violência e selvageria no qual a lógica do “salve-se quem puder” deságua na rápida escalada dos furtos, assaltos, saques, crimes e vandalismo. Quase que num piscar de olhos, o cordato cidadão civilizado se transforma em besta feroz, capaz das piores atrocidades.
Como entender esse perturbador fenômeno? A interpretação usual propõe um modelo conhecido: o ser humano no fundo é um animal selvagem e terrível. Remova os sustentáculos elementares da ordem civilizada; dispa a camisa de força social; suspenda, ainda que brevemente, a vigilância e a ameaça de punição aos infratores do código legal, e, em pouco tempo, retrocedemos ao “estado natural” e à “guerra de todos contra todos”. Os episódios de regressão à barbárie seriam, em suma, o psiquismo arcaico do animal humano posto a nu. É essa uma tese tão aceita quanto controversa: o que vem à tona não é mais o homem natural e primitivo; trata-se agora do “descivilizado”, livre das amarras civilizatórias e preso a um novo psiquismo violento. A “natureza” que já fora expelida traz agora, em seu retorno, as marcas e as feridas de sua violenta expulsão.
(Adaptado de: GIANNETTI, Eduardo. Trópicos utópicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 125-126)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente o sentido de um segmento do texto em:
- fina superfície de civilidade (1º parágrafo) = imperceptível plano da civilização
- sob o impacto do abalo provocado (2º parágrafo) = a partir da violência súbito implantada
- deságua na rápida escalada (2º parágrafo) = reflui na altura imprevisível
- a interpretação usual propõe um modelo (3º parágrafo) = o senso comum reinstala um padrão
- Remova os sustentáculos elementares (3º parágrafo) = afaste as escoras básicas
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Remova os sustentáculos elementares é perfeitamente reexpressa por afaste as escoras básicas. O verbo remova corresponde a afaste ao indicar retirada; os substantivos sustentáculos e escoras são equivalentes metafóricos para suportes que mantêm algo firme; e elementares equivale a básicas ao qualificar essas bases como fundamentais.
No contexto do texto, a expressão funciona como imagem: retirar os suportes da ordem civilizatória leva à perda de estabilidade social e à regressão comportamental. A versão proposta conserva o sentido causal e a carga metafórica, sugerindo que, ao afastar as escoras, a estrutura perde sustentação.
Portanto, a alternativa E preserva registro, sentido e relação de causa e efeito do original, sendo, assim, a reescrita adequada.
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