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Questão FC655591

Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvi

Clareza e Correção

FCC · 2022

Todos já ouvimos falar de crianças hiperativas, que não conseguem ficar paradas; ou daquelas que sonham acordadas e se distraem ao menor dos estímulos. Da mesma forma, é comum ouvirmos histórias de adultos impacientes, que comumente iniciam projetos e os abandonam no meio do caminho. Apresentam altos e baixos, são impulsivos, esquecem compromissos, falam o que lhes dá na telha. Comportamentos como esses são característicos do transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), classificado pela Associação de Psiquiatria Americana (APA).

 

Quando se pensa em TDAH, logo vêm à mente imagens de um cérebro em estado de caos. Diante dessa visão restrita, pode-se ter a ideia errônea de que pessoas com TDAH estariam fadadas ao fracasso; mas, ao contrário disso, grande parte delas atuam nas mais diversas áreas profissionais de forma brilhante.

 

Muitas teorias têm sido elaboradas para elucidar a origem do sucesso obtido por personalidades com comportamento TDAH nos mais diversos setores do conhecimento. Porém, a ciência não tem uma explicação exata para esse fato; até porque o funcionamento cerebral humano não segue nenhuma lógica aritmética previsível. Ideias, sensações e emoções não podem ser quantificadas; são características humanas imensuráveis. Nesse território empírico, uma coisa é certa: o funcionamento cerebral TDAH favorece o exercício da mais transcendente atividade humana: a criatividade.

 

Se entendermos criatividade como a capacidade de ver os mais diversos aspectos da vida através de um novo prisma e então dar forma a novas ideias, notaremos que a mente TDAH, em meio à confusão resultante do intenso bombardeio de pensamentos, é capaz de entender o mundo sob ângulos habitualmente não explorados.

 

A hiper-reatividade é responsável pela capacidade da mente TDAH de não parar nunca. Trata-se de uma hipersensibilidade que essa mente possui de se ligar a tudo ao mesmo tempo. Uma vez que está sempre reagindo a si mesma, essa mente pensa e repensa o tempo todo. Esse estado de inquietação mental permanente mantém toda uma rede de pensamentos e imagens em atividade intensa, proporcionando, assim, o terreno ideal para o exercício da criatividade.

 

(Adaptado de: SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes Inquietas: TDAH − desatenção, hiperatividade e impulsividade. São Paulo: Globo, 2014, edição digital)

 

Está correta a redação do livre comentário que se encontra em:

  1. O universo TDAH enfrenta alterações o qual compromete não só a atenção, mas a impulsividade e a atividade mental, onde oscilam entre a plenitude criativa e a exaustão.
  2. Embora o conhecimento sobre suas origens ainda sejam limitadas, descobriu-se, por meio de pesquisas científicas, que relevante papel no transtorno do déficit de atenção recai sobre fatores genéticos.
  3. Lapsos de dispersão, fenômeno comum aqueles que enfrentam o TDAH, acabam causando dificuldade de organização em diversos setores da vida, o que, por sua vez, trazem também problemas de relacionamento interpessoal.
  4. Defende-se hoje que a maior eficiência no tratamento do transtorno do déficit de atenção deve-se primordialmente à compreensão de certos fatores neurobiológicos envolvidos no problema.
  5. O funcionamento do cérebro na presença do TDAH, é bastante peculiar, pois acabam gerando comportamentos típicos, responsáveis por suas melhores características, bem como por suas angústias e desacertos.
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Gabarito

D

Comentário do professor

A frase inicia com Defende-se hoje que, expressão impessoal com se que significa "argumenta-se hoje que", introduzindo a oração subordinada explicativa sem alterar a correção sintática.

Na oração principal interna, deve-se integra a locução verbal pronominal dever‑se a, com sentido de "ser atribuído a" ou "dever‑se a algo". O termo que indica a causa ou a origem é "a compreensão", regido pela preposição a.

A presença do artigo definido feminino antes de "compreensão" exige a contração da preposição com o artigo, o que justifica a utilização da crase em à compreensão. Além disso, há concordância adequada entre o sujeito singular "a maior eficiência" e o verbo.

Portanto, a redação está correta do ponto de vista sintático e de concordância, bem como no uso da crase e da colocação adverbial "primordialmente".

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