Questão FC655603
Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a u
Clareza e Correção
FCC · 2022
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
[O que queremos?]
Se a história do homo sapiens, tal como o definimos até agora, está mesmo chegando ao fim, nós, membros de uma de suas últimas gerações, devemos dedicar algum tempo a responder a uma última pergunta: o que queremos nos tornar?
A maioria das pessoas prefere não falar sobre isso. Mesmo o campo da bioética prefere abordar outra pergunta: “O que é proibido fazer?”. É aceitável fazer experimentos genéticos com seres humanos vivos? Com fetos abortados? Com células-tronco? É ético clonar ovelhas? Todas essas perguntas são importantes, mas é ingênuo imaginar que podemos simplesmente frear os projetos científicos que estão transformando o homo sapiens em um tipo diferente de ser, pois esses projetos estão inextricavelmente unidos à busca pela imortalidade.
Pergunte aos cientistas por que estudam o genoma, ou tentam conectar um cérebro a um computador, ou tentam criar uma mente dentro de um computador. Nove em cada dez lhe darão a mesma resposta: estamos fazendo isso para curar doenças e salvar vidas humanas. Embora as implicações de criar uma mente dentro de um computador sejam muito mais dramáticas do que curar doenças psiquiátricas, essa é a justificativa padrão fornecida, porque ninguém pode argumentar contra ela.
A única coisa que podemos tentar fazer é influenciar a direção do que se está fazendo nas ciências. Mas considerando que possivelmente logo seremos capazes de manipular inclusive nossos desejos, a verdadeira pergunta a ser enfrentada não é “O que queremos nos tornar?”, e sim “O que queremos querer?”. Aqueles que não se sentem assombrados por essa pergunta provavelmente não refletiram o suficiente a respeito.
(Adaptado de: HARARI, Yuval Noah. Sapiens:
Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, 425-426)
É inteiramente clara e correta a redação deste comentário sobre o texto:
- Nesse texto não faltam, atentando-se no segundo parágrafo, insinuações de que no campo da bioética podem haver perguntas incômodas.
- A evolução da ciência chegou ao delicado limite no qual os cientistas, em suas experiências mais radicais, fornecem razões éticas para justificá-las.
- A clonagem de ovelhas está entre os experimentos genéticos cujo valor é atribuído à dúvida dos fundamentos éticos dos mesmos.
- Dizem os especialistas em clonagem, que é vantajoso levar em frente tais experiências que podem redundar do mais proveitoso avanço da ciência.
- Há bastante sutileza na diferença entre as duas perguntas, que ao final do texto, o autor nos lança, à respeito do nosso transformar-se ou do nosso querer.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A alternativa sintetiza com precisão a ideia central do trecho: a evolução da ciência alcança um limite delicado em que justificativas éticas passam a legitimar experimentos radicais.
Gramaticalmente, o sujeito de chegou é "a evolução da ciência" (núcleo: evolução), e o sujeito de fornecem é "os cientistas" (núcleo: cientistas), o que explica a concordância verbal empregada.
A expressão em suas experiências mais radicais está isolada por vírgulas por ser um adjunto adnominal deslocado, e o pronome "las" retoma experiências. Semânticamente, a alternativa reflete que os cientistas, ao conduzir projetos que transformam o homo sapiens, apresentam razões éticas como parte da justificativa para prosseguir, alinhando-se ao argumento do texto.
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