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Questão FC655619

A força do limite e o limite da força Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos

Outras Questões de Português e Questões Mescladas (Interpretação de Textos ou Gramática)

FCC · 2025

A força do limite e o limite da força

 

Muitas vezes somos contraditórios. Nem sempre sabemos o que queremos, mudando de direção conforme mudam os ventos. Pense-se, por exemplo, nos usos que fazemos da palavra limite: ela tanto serve a uma acusação como a um abono. Se você disser a uma pessoa que ela é muito limitada, ganhará um desafeto, sobretudo se for verdade. Mas dizer que alguém tem consciência de seus limites soará como um elogio. Agir na medida dos próprios limites é um traço de maturidade e sabedoria. Não queremos ser limitados. mas concordamos que é importante considerar o limite como um valor social.

 

Para um artista, por exemplo, torna-se imprescindível a busca e a conquista de um limite para sua arte. Sem limite, não pode haver forma estabelecida; sem uma forma estabelecida, não há arte. O escultor dará limites a uma pedra de mármore, o músico às notas de uma canção, o escritor, as palavras. A grande arte é a que sabe se expandir a partir do controle expressivo de seus limites.

 

Há um exemplo célebre para essa última afirmação. O grande poeta Manuel Bandeira dizia-se um "poeta menor", devido à atenção que ele dava às coisas simples e poéticas do nosso cotidiano. Atento aos nossos mais sensíveis limites humanos, encontrou e nos revelou a poesia grande das pequenas coisas e das criaturas humildes.

 

Na vida social, na ordem pública, a noção de limite é um dos fundamentos da própria sociabilidade. Os instrumentos da necessária manutenção dos limites civilizatórios são os preceitos jurídicos. Cabe aos agentes da ordem e da segurança social resguardá-los, assegurando seu cumprimento por todos. Contam, para isso, até mesmo com a possibilidade de recorrer à força, cujo emprego disciplinado não deixa de estar sujeito a precisos limites. É o reconhecimento do limite da força que legitima o combate a quem despreza quaisquer limites. Não será um mero jogo de palavras, certamente, afirmar que o limite da força é, em última análise, a força mesma do limite, sem o qual não sobreviveria nenhuma instituição humana criada para dar seguimento ao curso do processo civilizatório

 

(Aristofanes Medeiros, a editar)

Está inteiramente correto o emprego dos elementos sublinhados na frase:

  1. Nossos limites, dos quais nutrimos um sentimento de culpa envergonhada, tomam-se virtuosos, uma vez submetidos na nossa consciência.
  2. Quando se trata de uma pessoa em que falte a ideia de limite, é inútil recomendá-la que reavalie sua posição.
  3. Quanto aos nossos limites pessoais, é comum que lhes ignoremos, em vez de atribuí-los a força de sua natureza.
  4. É no realismo dos nossos limites aonde devemos encontrar nossa verdade, em cuja definimos nossa condição de sujeitos
  5. Uma vez inteirados de nossos reais limites, seremos capazes de promovê-los a qualidades, em vez de buscar ignorá-los.
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A frase está correta porque respeita a regência de ambos os vocábulos sublinhados. O adjetivo inteirado tem a regência exigida por inteirado de, isto é, significa estar ciente ou informado de algo; portanto, "inteirados de nossos reais limites" está apropriado.

O verbo promover admite construção transitiva direta e indireta: promove-se algo a algo. Na oração, os limites são o objeto direto (representado pelo pronome "os" em "promovê-los") e "a qualidades" exerce a função de objeto indireto, indicando a nova condição atribuída. Assim, "seremos capazes de promovê-los a qualidades" é gramatical e semântico.

Além disso, a sequência pronominal e a concordância estão coerentes, mantendo clareza referencial e correção sintática.

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