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Questão FC83520

Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para os estu

Sintaxe

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Quando falamos em direito, estamos falando inicialmente de um enorme conjunto de regras obrigatórias, o chamado direito positivo. Mas o vocábulo direito é usado também para os estudos, o curso de direito, a assim chamada “ciência do direito”. Numa terceira acepção, a palavra designa os direitos de cada um de nós, chamados de direitos subjetivos, pois somos os sujeitos, os titulares, desses direitos.

Ninguém ignora que paira sobre nossas cabeças uma gigantesca teia de normas, que atinge praticamente todas as nossas atividades. Muitos pensadores têm destacado que o direito atual parece ter invadido tudo: há direito em toda parte, para todos, para tudo. A contrapartida é que, assim como temos de seguir as normas, os outros também têm de obedecer a elas e, desse modo, respeitar os direitos de cada um de nós, os ditos direitos subjetivos.

Vivemos num tempo em que as questões legais se tornaram corriqueiras. Apesar dessa popularização, ainda existe uma enorme dificuldade de acesso às coisas do direito.
Ao mesmo tempo, os mecanismos da justiça são cada vez mais acionados, até para resolver quem fica com o cachorro depois da separação, ou se o condomínio pode impedir seus moradores de ter animais. A sobrecarga dos tribunais, e sua lentidão, é parcialmente consequência desse excesso de litigiosidade e da incapacidade das pessoas de resolver com bom senso, compreensão e respeito as questões de convivência em sociedade.
 

Eduardo Muylaert. Direito no cotidiano: guia de sobrevivência na selva das leis. São Paulo: Editora Contexto, 2020, p. 11-13 (com adaptações).


Acerca dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item a seguir.

Alterando-se o segmento “Ninguém ignora” (primeiro período do segundo parágrafo) por Não se ignora, opera-se uma mudança na estrutura sintática do período, que não interfere, contudo, na classificação do sujeito, que é indeterminado em ambas as orações.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

Ninguém ignora que... tem sujeito expresso: o pronome Ninguém atua como núcleo de um sujeito determinado simples. Perguntando "quem ignora?", responde-se "ninguém", logo o sujeito é determinado, embora o pronome seja indefinido no sentido semântico.


Ao passar para Não se ignora que..., o se funciona como pronome apassivador, formando voz passiva sintética. Nesse caso, a oração subordinada "que paira..." torna-se o sujeito paciente da frase.


Portanto, houve mudança sintática, mas não há sujeito indeterminado em nenhuma das versões. Sujeito indeterminado ocorre em construções como verbo na 3.ª pessoa do plural sem sujeito expresso (ex.: "Falam que...") ou com índice de indeterminação do se em exemplos típicos (ex.: "Come-se bem"). Por isso o item foi julgado ERRADO.

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