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Questão FC83524

Texto CB1A1-I A forma peculiar como se processou a independência da América portuguesa teve consequências fundamentais no seu subsequente desenvolvimento. Tendo-se transferido o go

Sintaxe

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Texto CB1A1-I

A forma peculiar como se processou a independência da América portuguesa teve consequências fundamentais no seu subsequente desenvolvimento. Tendo-se transferido o governo português para o Brasil sob a proteção inglesa e tendo-se operado a independência da colônia sem descontinuidade na chefia do governo, os privilégios econômicos de que se beneficiava a Inglaterra em Portugal passaram automaticamente para o Brasil independente. Com efeito, se bem haja conseguido separar-se de Portugal em 1822, o Brasil necessitou de vários decênios mais para eliminar a tutela que, graças a sólidos acordos internacionais, mantinha sobre ele a Inglaterra. Esses acordos foram firmados em momentos difíceis e constituíam, na tradição das relações luso-inglesas, pagamentos em privilégios econômicos de importantes favores políticos. Os acordos de 1810 foram firmados contra a garantia da Inglaterra de que nenhum governo imposto por Napoleão em Portugal seria reconhecido. Por eles se transferiam para o Brasil todos os privilégios de que gozavam os ingleses em Portugal — inclusive os de extraterritorialidade — e se lhes reconhecia demais uma tarifa preferencial. Tudo indica que, negociando esses acordos, o governo português tinha estritamente em vista a continuidade da casa reinante em Portugal, enquanto os ingleses se preocupavam em firmar-se definitivamente na colônia, cujas perspectivas comerciais eram bem mais promissoras que as de Portugal.
 

Celso Furtado. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 2007, p. 69 (com adaptações).


Acerca de aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o seguinte item.

No terceiro período, o sujeito da forma verbal “mantinha” é “a Inglaterra”.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é certa porque, na oração "a tutela que, graças a sólidos acordos internacionais, mantinha sobre ele a Inglaterra", o núcleo lógico que exerce a ação do verbo é a Inglaterra.

Gramaticalmente, trata‑se de uma oração relativa em que que retoma a tutela e funciona como objeto do verbo mantinha, enquanto o sujeito aparece posposto ao verbo. Reorganizando a oração para a ordem canônica, obtém‑se: A Inglaterra mantinha sobre ele a tutela, o que torna evidente quem pratica a ação.

Um teste simples confirma: na pergunta "Quem mantinha a tutela sobre ele?", a resposta é a Inglaterra, portanto esse é o sujeito da forma verbal mantinha.

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