Questão FC83552
Nos últimos anos, uma das tendências mais surpreendentes das ciências sociais pode ser descrita como a descoberta da ignorância. À primeira vista, parece bizarra a escolha desse ob
Sintaxe
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Essa desconfortável tomada de consciência nos coloca um desafio. Como estudar a falta de conhecimento? Uma das respostas tem sido examinar as práticas correntes de ocultação de informações ou circulação de fake news, descrevendo essas atividades como exemplos da construção, produção ou fabricação da ignorância, quando, por exemplo, encobrem calamidades ou defendem que determinada droga não tem efeitos colaterais perigosos. Seria mais preciso falar de manutenção do que de produção da ignorância.
Outra resposta a esse novo desafio seria estudar a história social da ignorância, perguntando quem ignora o quê em dado lugar e em dada época, quais são as causas dessa ignorância e, acima de tudo, que consequências ela produz. A humanidade nunca soube tantas coisas como hoje, mas cada indivíduo tem conhecimento apenas de uma parte ínfima desse saber. Quanto mais se tem a saber, mais se pode ignorar.
Peter Burke. A ignorância na política. E a política da ignorância. Revista Piauí, ed. 168, 2020.
Internet: <https://piaui.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, a respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto precedente.
As orações que formam o último período do texto estão coordenadas com base em uma relação semântica de contraste.
- Errado
- Certo
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque o último período do texto, "Quanto mais se tem a saber, mais se pode ignorar.", não contém orações coordenadas adversativas.
A primeira oração, "Quanto mais se tem a saber", funciona como adjunto adverbial de proporção e integra uma estrutura correlative introduzida pela locução "Quanto mais... mais". Sintaticamente, trata‑se de uma oração subordinada adverbial proporcional, que depende da segunda oração para completar o sentido.
A relação entre as orações é de proporção, não de oposição. Orações coordenadas adversativas exigiriam conjunções como mas, porém, contudo, que expressam contraste, o que não ocorre aqui.
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