Questão FC83557
Nos últimos anos, uma das tendências mais surpreendentes das ciências sociais pode ser descrita como a descoberta da ignorância. À primeira vista, parece bizarra a escolha desse ob
Sintaxe
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Essa desconfortável tomada de consciência nos coloca um desafio. Como estudar a falta de conhecimento? Uma das respostas tem sido examinar as práticas correntes de ocultação de informações ou circulação de fake news, descrevendo essas atividades como exemplos da construção, produção ou fabricação da ignorância, quando, por exemplo, encobrem calamidades ou defendem que determinada droga não tem efeitos colaterais perigosos. Seria mais preciso falar de manutenção do que de produção da ignorância.
Outra resposta a esse novo desafio seria estudar a história social da ignorância, perguntando quem ignora o quê em dado lugar e em dada época, quais são as causas dessa ignorância e, acima de tudo, que consequências ela produz. A humanidade nunca soube tantas coisas como hoje, mas cada indivíduo tem conhecimento apenas de uma parte ínfima desse saber. Quanto mais se tem a saber, mais se pode ignorar.
Peter Burke. A ignorância na política. E a política da ignorância. Revista Piauí, ed. 168, 2020.
Internet: <https://piaui.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Julgue o item que se segue, a respeito das ideias e estruturas linguísticas do texto precedente.
No último período do segundo parágrafo, a oração “falar de manutenção” funciona como complemento do termo “preciso”, que está empregado como adjetivo no referido período.
- Errado
- Certo
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação é errada porque "falar de manutenção" não funciona como complemento de "preciso". Perguntando ao verbo, "o que seria mais preciso?", a resposta é "falar de manutenção", logo esse segmento exerce a função de sujeito da oração.
Trata‑se de uma oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo, pois depende sintática e semanticamente da principal, tem função de substantivo (sujeito) e o verbo aparece no infinitivo ("falar").
O termo "preciso" está empregado como adjetivo predicativo ligado ao sujeito por meio do verbo de ligação "seria", não como núcleo que recebe um complemento. Reescrevendo em ordem direta: Falar de manutenção seria mais preciso do que (falar) de produção da ignorância.
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