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Questão FC83585

Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir

Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Fábula de um arquiteto

A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.
 

João Cabral de Melo Neto. Fábula de um arquiteto.

In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p.18.


Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue o item a seguir.

A ausência de pontuação na enumeração presente em “por onde, livres: ar luz razão certa” (primeira estrofe) contraria a norma culta quanto ao emprego dos sinais de pontuação, mas atende à especificidade do gênero textual poético.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

A afirmação é certa porque distingue norma e estilo. Pelo padrão culto, itens de uma enumeração exigem sinais de separação, portanto o verso ficaria, em norma, por onde, livres: ar, luz, razão certa.

No entanto, o poema usa a licença poética, recurso que autoriza desvios da norma para efeitos expressivos: ritmo, sonoridade e densidade semântica. A omissão das vírgulas torna a leitura mais fluida e sugere uma sequência orgânica, reforçando a ideia de liberdade e abertura presente no texto.

Assim, embora a pontuação não siga a norma culta, sua ausência é proposital e adequada ao gênero poético, justificando o julgamento CERTO.

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