Questão FC83607
ideia de que a mente pertence a um domínio separado, distinto do corpo, foi teorizada bem cedo, em grandes textos como o Fédon, de Platão (IV a.C.) e a Suma teológica, de Tomás de
Pontuação (Ponto, Vírgula, Travessão, Aspas, Parênteses, etc)
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Ridicularizar Descartes tornou-se moda em neurociência. Depois da publicação, em 1994, de O erro de Descartes, o best-seller de Antonio Damasio, muitos manuais contemporâneos que tratam de consciência passaram a criticar Descartes, alegando que ele teria atrasado a pesquisa em neurociência. A verdade, porém, é que Descartes foi um cientista pioneiro, fundamentalmente um reducionista, cuja análise mecânica da mente humana, muito à frente de seu tempo, foi o primeiro exercício de biologia sintética e de modelagem teórica. O dualismo de Descartes não foi um capricho de momento — fundamentava-se em um argumento lógico que afirmava a impossibilidade, para qualquer máquina, de imitar a liberdade da mente consciente.
Stanislas Dehaene. É assim que pensamos: como o cérebro trabalha para tomarmos consciência do mundo. Trad.: Rodolfo Ilari. São Paulo: Editora Contexto, 2024, p. 12 (com adaptações).
Em relação às ideias e estruturas linguísticas do texto apresentado, julgue o item que se segue.
No segundo período do primeiro parágrafo, os dois pontos são empregados para introduzir uma explicação.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O uso dos dois pontos no trecho cumpre sua função normativa de introduzir uma explicação ou definição do elemento anterior. Em português, os dois pontos conectam uma oração ou segmento que esclarece, explica ou exemplifica o que veio antes.
No exemplo Mas foi o filósofo francês René Descartes (1596-1650) quem estabeleceu aquilo que é hoje conhecido como dualismo: a tese de que a mente dotada de consciência é feita de uma substância imaterial que não está sujeita às leis da física., o segmento que segue os dois pontos explica o sentido de dualismo, oferecendo uma definição do termo.
Sintaticamente, a oração pós-colon está em aposição explicativa ao substantivo antecedente; semanticamente, cumpre o papel de esclarecimento. Por isso, a marcação foi corretamente julgada como CERTO.
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