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Questão FC83888

Texto VI O bife e o vinho compartilham a mitologia sanguínea. É o coração da carne, e qualquer um que a consuma assimila a força do touro. Obviamente, o prestígio do bife deve-se a

Ortografia

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Texto VI

O bife e o vinho compartilham a mitologia sanguínea. É o coração da carne, e qualquer um que a consuma assimila a força do touro. Obviamente, o prestígio do bife deve-se ao seu estado de semicrueza: nele o sangue é simultaneamente visível, denso, compacto e suscetível de ser cortado: imagina-se logo a ambrosia antiga sob a forma de uma matéria pesada que diminui entre os dentes, de modo a fazer com que se sinta ao mesmo tempo a sua força de origem e a sua plasticidade se expandirem no próprio sangue do homem.

E assim como o vinho se transforma, para um bom número de intelectuais, em substância mediúnica que os conduz à força original da natureza, do mesmo modo o bife é para eles um alimento de redenção, graças ao qual tornam o seu cerebralismo mais prosaico e conjuram, pelo sangue e a polpa mole, a secura estéril de que são acusados.

Tal como o vinho, na França, o bife é um elemento básico, mais nacionalizado do que socializado, estando presente em todos os cenários da vida alimentar; participa de todos os ritmos, desde a confortável refeição burguesa ao lanche boêmio do celibatário; é uma alimentação simultaneamente rápida e densa, que realiza a mais perfeita união entre a economia e a eficácia, a mitologia e a plasticidade do seu consumo. Além de tudo isso, é um produto eminentemente francês (é certo que se encontra circunscrito, hoje em dia, pela invasão dos steaks americanos). Sendo nacional, depende da cotação dos valores patrióticos: revigora-os em tempo de guerra, sendo a própria carne do combatente francês, o bem inalienável que só pode passar-se para o inimigo à traição. Associado geralmente às batatas fritas, o bife transmite-lhes o seu renome: elas são nostálgicas e patrióticas como o bife.
 

Roland Barthes. O bife com batatas fritas. In: Mitologias. 2010, p.79-80 (com adaptações).


Julgue (C ou E) o próximo item, relativos a aspectos linguísticos e ortográficos do texto VI.

A grafia das palavras formadas pelo prefixo semi-, como “semicrueza” e semi-inteiro, por exemplo, obedece à mesma regra ortográfica que define a grafia das palavras formadas pelos prefixos co- e re-, no que se refere ao emprego ou não de hífen.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação está ERRADA porque as regras de uso do hífen com o prefixo semi- são diferentes das que regem os prefixos co- e re-.

O prefixo semi- normalmente não usa hífen quando o segundo elemento começa por consoante (ex.: semicrueza), mas exige hífen quando o segundo elemento começa por h ou por i (ex.: semi-homem, semi-inteiro), para evitar encontros vocálicos ou preservar pronúncia.

Já os prefixos co- e re- não admitem hífen em hipótese alguma segundo a norma atual (ex.: coordenador, releitura, reeleição), portanto as regras são distintas.

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