Questão FC83933
É preciso filtrar um pouco os excessos e procurar se ater aos pontos que caracterizam mais fortemente as inteligências artificiais, mesmo que tenhamos uma definição vaga de intelig
Morfologia
CEBRASPE (CESPE) · 2024
A expressão “inteligência artificial” é muito popular, tanto na literatura técnica quanto no imaginário popular. A sociedade se espanta com os prometidos ganhos em bem- estar e produtividade e se apavora com perspectivas apocalípticas relacionadas à inteligência artificial. Em muitos casos, o que se observa é a confusão entre inteligência artificial e toda e qualquer atividade que envolve aparelhos digitais. Muitas inovações recentes creditadas à inteligência artificial decorrem simplesmente da automatização de tarefas cotidianas ou do uso de tecnologias dominadas há algum tempo.
É preciso filtrar um pouco os excessos e procurar se ater aos pontos que caracterizam mais fortemente as inteligências artificiais, mesmo que tenhamos uma definição vaga de inteligência artificial. Um agente inteligente, de forma geral, deve ser capaz de representar conhecimento e incerteza; de raciocinar; de tomar decisões; de aprender com experiências e instruções; de se comunicar e interagir com pares e com o mundo. Embora alguém possa imaginar cérebros biológicos artificiais, hoje toda a ação em inteligência artificial está centrada em computadores digitais construídos a partir de silício.
Fabio G. Cozman e Hugo Neri. O que, afinal, é inteligência artificial?
In: Fabio G. Cozman, Guilherme Ary Plonski e Hugo Neri (orgs). Inteligência artificial: avanços e tendências. São Paulo: Instituto de Estudos Avançados, 2021, p. 22-23 (com adaptações).
Julgue o item que se segue, em relação a estruturas linguísticas do texto CG1A1-I.
No final do primeiro parágrafo, a substituição da forma verbal “há” por tem, ainda que gramaticalmente correta, conferiria ao texto um tom de informalidade que destoaria do restante do texto.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
O julgamento CERTO justifica-se porque, no trecho indicado, o verbo haver exerce valor impessoal de existência/tempo, função que a norma culta reserva a ele. Substituí‑lo por ter transforma o registro, introduzindo informalidade, já que "ter" com sentido existencial é coloquial e menos aceitável em textos formais.
Do ponto de vista prático, a troca não preserva o mesmo nível de linguagem do restante do texto técnico. Uma alternativa culta e equivalente seria empregar faz (por exemplo, "dominadas faz algum tempo"), ou manter há, preservando a impessoalidade exigida pelo registro.
Portanto, a afirmação está correta: a substituição, embora compreensível em fala cotidiana, comprometeria o tom formal do texto.
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