Questão FC83947
Texto 2A2-III Justiça é justiça social. É atualização dos princípios condutores, emergindo nas lutas sociais, para levar à criação de uma sociedade em que cessem a exploração e a o
Morfologia
CEBRASPE (CESPE) · 2023
Justiça é justiça social. É atualização dos princípios condutores, emergindo nas lutas sociais, para levar à criação de uma sociedade em que cessem a exploração e a opressão do homem pelo homem. O direito não é mais, nem menos, do que a expressão daqueles princípios supremos, como modelo avançado de legítima organização social da liberdade. Mas até a injustiça como também o antidireito (isto é, a constituição de normas ilegítimas e sua imposição em sociedades mal organizadas) fazem parte do processo, pois nem a sociedade justa, nem a justiça corretamente vista, nem o direito mesmo, o legítimo, nascem de um berço metafísico ou são presente generoso dos deuses: eles brotam nas oposições, no conflito, no caminho penoso do progresso, com avanços e recuos.
Direito é processo, dentro do processo histórico. Não é uma coisa feita, perfeita e acabada. É aquele vir a ser que se enriquece nos movimentos de libertação das classes e dos grupos ascendentes e que definha nas explorações e opressões que o contradizem, mas de cujas próprias contradições brotarão as novas conquistas.
Roberto Lyra Filho. O que é direito. São Paulo: Brasiliense, 2003, p. 86 (com adaptações).
Acerca de aspectos gramaticais do texto 2A2-III, julgue o item subsequente.
No texto, a forma pronominal “cujas” resulta da contração do pronome relativo cujo com o artigo feminino definido as.
- Errado
- Certo
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Errado, porque cujas não é contração de cujo + as. O pronome cujo(a/s) é um pronome relativo variável, que flexiona em gênero e número por concordar com o termo consequente (o substantivo que vem após ele), e não com o antecedente.
No trecho, o antecedente é o direito, e o consequente é próprias contradições, feminino plural; por isso se usa cujas. Não houve fusão com artigo algum, trata‑se de flexão do próprio pronome.
Além disso, a preposição de, em de cujas, decorre da regência verbal (brotarão de), por isso aparece antes do pronome relativo, como é norma nas orações subordinadas adjetivas.
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