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Questão FC83952

Texto 8A1-I O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão.

Morfologia

CEBRASPE (CESPE) · 2023

Texto 8A1-I
O Brasil é um dos países com maior proporção de alunos matriculados em cursos de formação de professores, mas com um dos mais baixos índices de interesse na profissão. Para especialistas, isso mostra que a docência se torna opção pela facilidade em ingressar no ensino superior, pelas baixas mensalidades e pela alternativa de cursos a distância — não pela vocação.

Estudos internacionais mostram que um bom professor é um dos fatores que mais influenciam na aprendizagem. Os dados são de pesquisa feita pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que traçou o perfil de quem estuda para ser professor na América Latina e no Caribe. Enquanto, no Brasil, 20% dos universitários estão em cursos como licenciatura e pedagogia, na América Latina são 10% e, em países desenvolvidos, 8%.

Em compensação, só 5% dos jovens brasileiros dizem querer ser professores quando estão no ensino médio. E, apesar da grande quantidade de alunos matriculada em cursos de licenciatura e pedagogia no Brasil, faltam docentes para lecionar disciplinas específicas em áreas de ciências exatas e da natureza.

Na Coreia do Sul, por exemplo, 21% se interessam pela profissão e só 7% ingressam, de fato, na universidade, porque há muita concorrência e maior seleção. No Chile e no México, os dois índices são mais próximos: cerca de 7% se interessam pelo magistério e menos de 15% cursam pedagogia ou licenciatura.

“Muitos alunos concluintes do ensino médio entram em programas de formação de professores para conseguir um título”, diz o economista chefe da divisão de educação no BID, Gregory Elacqua. Ele afirma que isso não é bom para a educação.

“A gente atrai as pessoas mais vulneráveis e que lá na frente vão enfrentar o desafio de educar crianças vulneráveis também”, diz a diretora de políticas públicas do Instituto Península, que atua na área de formação de professores, Mariana Breim. “Se é este público que está procurando a docência, temos de abraçá-lo e fazê-lo se apaixonar por ela”, completa. Os dados mostram que 71% dos estudantes de pedagogia e licenciatura no Brasil são mulheres, índice semelhante ao verificado em outros países latinos.
 

Internet: <noticias.uol.com.br> (com adaptações).


Julgue o item seguinte, relativo à classificação gramatical de palavras, à pontuação e à sintaxe de concordância e regência no texto 8A1-I.

A palavra “muita” (primeiro período do quarto parágrafo), que expressa intensidade, pertence à classe gramatical dos advérbios.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

A afirmação é errada porque a palavra "muita" no contexto não atua como advérbio. Advérbios modificam verbo, adjetivo ou outro advérbio, normalmente são invariáveis, e exprimem circunstâncias de tempo, modo, lugar, intensidade, entre outras.

No fragmento "muita concorrência", concorrência é um substantivo, e "muita" concorda em gênero com ele, portanto exerce função de quantificador do substantivo. Essa flexão de gênero e a relação direta com o substantivo descaracterizam a classe adverbial.

Assim, "muita" aqui é classificada como pronome indefinido ou determinante indefinido, porque indica quantidade indeterminada do substantivo. Logo, afirmar que é advérbio está incorreto.

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