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Questão FC83984

Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir

Morfologia

CEBRASPE (CESPE) · 2024

Fábula de um arquiteto


A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.
 

João Cabral de Melo Neto. Fábula de um arquiteto.

In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p.18.

Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue o item a seguir.

O verbo “construir”, presente reiteradamente nos cinco versos iniciais do texto, é empregado no poema como substantivo.
  1. Errado
  2. Certo
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Gabarito

Errado

Comentário do professor

O item é errado porque, no poema, "construir" aparece como forma verbal no infinitivo, indicando ação, não como nome. Em trechos como "construir portas" e "construir o aberto", o verbo rege complemento direto ("portas", "o aberto"), comportamento típico de verbo e não de substantivo.

A substantivação (nominalização) ocorreria se o termo estivesse determinado por artigo ou outro determinante, por exemplo, "o construir", quando passa a funcionar como substantivo. Como não há esse determinante e o termo admite objeto verbal, classifica-se corretamente como verbo no infinitivo.

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