Questão FC83993
A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fez trinta anos em 2020. Por definição, encarregou as famílias, a comunidade, a sociedade e o Estado de assegurar a prot
Colocação Pronominal
CEBRASPE (CESPE) · 2024
A ideia de proteção integral anotada no referido estatuto encontra lastro na concepção de que todas as pessoas com idade inferior a 18 anos ascendem à condição de sujeito de direitos, rompendo com a doutrina sociojurídica em voga até a sua promulgação, que destinava tal grupo à intervenção do mundo adulto. Desse novo modo, coloca-o como titular de direitos comuns a toda e qualquer pessoa humana, bem como de direitos especiais decorrentes da condição peculiar de pessoas em processo de desenvolvimento.
O Ministério Público é essencial à proteção pretendida e, por isso, o capítulo quinto do ECA é reservado a esse “sujeito”, que age na composição do SGDCA, atribuindo-lhe competências administrativas para assegurar os direitos infantoadolescentes. De maneira geral, sua atuação volta-se à guarda dos interesses sociais, ou seja, à proteção dos direitos difusos e coletivos, todos os ligados à coletividade e, também, na defesa dos interesses individuais, desde que indisponíveis, caracterizados como direitos fundamentais, pois são inerentes à pessoa humana, tais como o direito à vida, à liberdade, à integridade física e psíquica, à igualdade perante a lei, à saúde, à educação, entre outros alcançáveis por sua tutela.
Nesse contexto, a sua intervenção não se resume à via jurisdicional, mas atua em diversas frentes com a finalidade de garantir que os direitos anunciados se tornem realidade na vida das crianças e dos adolescentes. Age para atenuar as distorções existentes entre os protocolos consignados nas convenções internacionais de direitos humanos, na Constituição e nas legislações infraconstitucionais, e para exigir dos poderes públicos as medidas adequadas para que os seus objetivos sejam efetivados. Especificamente no campo dos direitos sociais, o Ministério Público tem a obrigação de monitorá-los em seu desdobramento, enquanto políticas públicas, entre estas, a política de educação com adjetivação de qualidade.
José Almir do Nascimento; Luciana Rosa Marques.
A efetivação do direito à educação de qualidade como ação do Ministério Público de Pernambuco. Internet: <dol.org> (com adaptações).
Considerando os sentidos e aspectos linguísticos do texto anteriormente apresentado, julgue o item seguinte.O emprego da próclise em “se resume” (primeiro período do quarto parágrafo) justifica-se pelo emprego do vocábulo “não”.
- Certo
- Errado
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
A afirmação está correta. A colocação do pronome oblíquo átono se antes do verbo em "não se resume" obedece à regra da próclise, segundo a qual elementos que antecedem o verbo atraem o clítico para a sua esquerda.
No trecho "a sua intervenção não se resume à via jurisdicional", o advérbio de negação não aparece antes do verbo e, por isso, exige a próclise: a forma adequada é "não se resume", não *"resume-se"* com o clítico posposto.
Além da negação, outros termos como pronomes relativos, advérbios e conjunções subordinativas também determinam próclise; assim, a presença do não justifica plenamente a posição de se nesse contexto.
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