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Questão FC85034

Texto CG1A1-II O ordenamento jurídico pátrio, embasado pela Constituição Federal de 1988, apresenta capítulo próprio para a defesa do meio ambiente — algo que nunca havia ocorrido

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2023

Texto CG1A1-II

O ordenamento jurídico pátrio, embasado pela Constituição Federal de 1988, apresenta capítulo próprio para a defesa do meio ambiente — algo que nunca havia ocorrido antes na história das constituições brasileiras. O artigo 225 da Carta Magna transmite a ideia da imprescindibilidade de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, criando o dever, tanto para o poder público quanto para a coletividade, de sua preservação. Esse comando é subjacente a todas as relações da República, sejam elas travadas sob a ordem econômico-financeira, sejam elas derivadas da gestão de direitos e garantias individuais e coletivos. Ou seja, tudo deverá passar pelo crivo do meio ambiente sadio e equilibrado para a presente e as futuras gerações.

O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, aduziu a interpretação de que o meio ambiente ecologicamente equilibrado inscrito na Carta Cidadã faz parte do rol de cláusulas pétreas, mas, por não estar contido no parágrafo 4.º do artigo 60, é tido como uma cláusula pétrea heterotópica, pela sua posição topográfica em outro capítulo. Diante disso, consagra-se que toda atividade passível de gerar impacto no meio ambiente deverá ser bem discutida, de modo a evitar quaisquer interferências negativas ao equilíbrio ambiental. Além disso, inúmeros princípios foram pulverizados nas legislações esparsas que dão supedâneo ao compromisso inarredável de um meio ambiente livre e contínuo em sua função.

Mais recentemente, o legislador ordinário, na esteira da campanha internacional para com os cuidados do meio ambiente e dos animais, acrescentou novos parágrafos ao art. 32 da Lei n.º 9.605/1998 (que dispõe sobre penalidades às ações lesivas ao meio ambiente), por meio da Lei n.º 14.064/2020. Com isso, trouxe o aumento de pena para os atos de maus-tratos, ferimentos, mutilações, entre outros, contra cães e gatos. Uma inovação na matéria, pois confere proteção específica, de forma exclusiva e precisa, a dois animais domesticáveis que fazem parte da convivência de uma grande parcela do povo brasileiro.

Primeiramente, é imprescindível analisar tal sanção no que se refere aos animais silvestres, domésticos ou domesticados (da nossa fauna ou de outros países, mas que aqui se encontrem), sem a especificação de nenhuma espécie, nenhum epíteto. Ora, a pena é de detenção, de três meses a um ano, e multa. No entanto, com o parágrafo 1.º-A, há uma rotação inevitável de aumento de pena para tais condutas quando estas forem desferidas contra cães e gatos, e uma sanção de reclusão, de dois anos a cinco anos, multa e proibição da guarda. Certamente, trata-se de situação peculiar e que traz implicâncias de várias searas ao ordenamento jurídico.
 

Internet: <https://jus.com.br> (com adaptações).


Julgue o seguinte item, que se referem a aspectos linguísticos do texto CG1A1-II.

No primeiro parágrafo, o vocábulo “subjacente” (terceiro período) indica a forma não explícita como o crivo do meio ambiente sadio e equilibrado para a presente e as futuras gerações está presente em todas as relações da República.
  1. Certo
  2. Errado
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: O item está CERTO porque o termo "subjacente" significa algo que está implícito, que não é explicitamente visível, mas que influencia de forma profunda as relações e decisões. No contexto do primeiro parágrafo, a expressão "subjacente" sugere que a preocupação com a preservação do meio ambiente está presente de maneira velada em todas as interações dentro da República, lidando tanto com questões econômicas quanto com direitos individuais e coletivos.

Isso indica que, mesmo sem uma menção direta, todas as ações que ocorrem no ambiente republicano devem considerar a proteção ambiental. Por exemplo, um projeto de infraestrutura deve avaliar como sua implementação afetará ecossistemas locais, mesmo que a questão ambiental não seja o foco principal do projeto. Assim, a ideia de que "tudo deverá passar pelo crivo do meio ambiente sadio e equilibrado" evidencia que o respeito ao meio ambiente precisa estar na base de qualquer decisão, reforçando a interpretação correta do vocábulo "subjacente". Portanto, a afirmação está correta e reflete com precisão essa relação implícita.

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