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Questão FC86237

Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir

Interpretação de Textos (Compreensão)

CEBRASPE (CESPE) · 2024


Fábula de um arquiteto 

A arquitetura como construir portas, 
de abrir; ou como construir o aberto; 
construir, não como ilhar e prender, 
nem construir como fechar secretos; 
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem
(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.

Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.

João Cabral de Melo Neto. Fábula de um arquiteto.
In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p.18.

Considerando o texto e a imagem da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, obra de Oscar Niemayer, julgue o item a seguir.

Na segunda estrofe, o significado das expressões “vãos de abrir” e “opacos de fechar” está em consonância com a tensão que estrutura o poema: a transformação do sujeito que abre novos caminhos para o homem em alguém capaz de encerrá-lo por trás de muros confortáveis.
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Gabarito

Certo

Comentário do professor

Comentário: A afirmação está correta, pois na segunda estrofe do poema, as expressões “vãos de abrir” e “opacos de fechar” refletem a dualidade presente na figura do arquiteto. Inicialmente, o arquiteto é visto como aquele que proporciona liberdade e novas possibilidades ao homem, simbolizando a abertura através de "vãos". No entanto, à medida que a narrativa avança, ele se transforma em alguém que, por medo da liberdade que proporciona, acaba criando barreiras, representadas pelos "opacos de fechar". Essa mudança representa a tensão entre a criação de espaços que favorecem a vida e a necessidade de segurança, resultando na contradição de se transformar em um agente de confinamento, refletindo a complexidade da função do arquiteto na sociedade.

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