Questão FC86238
Fábula de um arquiteto A arquitetura como construir portas, de abrir; ou como construir o aberto; construir, não como ilhar e prender, nem construir como fechar secretos; construir
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2024

Fábula de um arquiteto
A arquitetura como construir portas,
de abrir; ou como construir o aberto;
construir, não como ilhar e prender,
nem construir como fechar secretos;
construir portas abertas, em portas;
casas exclusivamente portas e teto.
O arquiteto: o que abre para o homem(tudo se sanearia desde casas abertas)
portas por-onde, jamais portas-contra;
por onde, livres: ar luz razão certa.
Até que, tantos livres o amedrontando,
renegou dar a viver no claro e aberto.
Onde vãos de abrir, ele foi amurando
opacos de fechar; onde vidro, concreto;
até fechar o homem: na capela útero,
com confortos de matriz, outra vez feto.
João Cabral de Melo Neto. Fábula de um arquiteto.
In: Antologia poética. Rio de Janeiro: Ed. José Olympio, 1978, p.18.
O resultado arquitetônico da Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida corresponde ao conteúdo expresso na última estrofe do texto de João Cabral de Melo Neto: “onde vidro, concreto; / até fechar o homem: na capela útero, / com confortos de matriz, outra vez feto
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
Comentário: O item está errado porque a Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, projetada por Oscar Niemeyer, é uma obra que busca a abertura e a integração com o ambiente, utilizando vidro e formas que remetem à leveza e à transparência, ao contrário da ideia de "fechar o homem" e "amurando opacos de fechar" mencionada na última estrofe do texto de João Cabral de Melo Neto. A catedral simboliza um espaço de luz e acolhimento, contrastando com a proposta de isolamento sugerida na obra do poeta.
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