Questão FC86241
Texto CB1A1 Hoje, a crise hídrica é política — o que significa dizer não inevitável ou necessária, nem além da nossa capacidade de consertá-la — e, logo, opcional, na prática. Esse
Interpretação de Textos (Compreensão)
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Hoje, a crise hídrica é política — o que significa dizer não inevitável ou necessária, nem além da nossa capacidade de consertá-la — e, logo, opcional, na prática. Esse é um dos motivos para ser, não obstante, terrível como parábola climática: um recurso abundante torna-se escasso pela falta de infraestrutura, pela poluição e pela urbanização e desenvolvimento descuidados. A crise de abastecimento de água não é inevitável, mas presenciamos uma, de um modo ou de outro, e não estamos fazendo muita coisa para resolvê-la.
Algumas cidades perdem mais água por vazamentos do que a que é entregue nas casas: mesmo nos Estados Unidos da América (EUA), vazamentos e roubos respondem por uma perda estimada de 16% da água doce; no Brasil, a estimativa é de 40%. Em ambos os casos, assim como por toda parte, a escassez se desenrola tão patentemente sobre o pano de fundo das desigualdades entre pobres e ricos que o drama resultante da competição pelo recurso dificilmente pode ser chamado, de fato, de competição; o jogo está tão arranjado que a escassez de água mais parece um instrumento para aprofundar a desigualdade. O resultado global é que pelo menos 2,1 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso a água potável segura, e 4,5 bilhões não dispõem de saneamento.
David Wallace-Wells. A terra inabitável: uma história do futuro. São Paulo: Cia das Letras, 2019. (com adaptações).
No texto, os exemplos das taxas de vazamentos e roubos no abastecimento de água em cidades dos EUA e do Brasil ilustram a inação diante da crise hídrica.
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Gabarito
Certo
Comentário do professor
Comentário: O item está CERTO porque o texto evidencia como as altas taxas de vazamentos e roubos de água ilustram a falta de ação efetiva para resolver a crise hídrica. Ao mencionar que nos EUA a perda é estimada em 16% e no Brasil em 40%, o autor destaca que, apesar de existirem soluções para melhorar a infraestrutura e combater a poluição, a inação persiste, contribuindo para a escassez de água. Isso reforça a ideia de que a crise não é inevitável, mas sim resultado da negligência e da má gestão dos recursos hídricos.
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