Questão FC86531
Texto CG2A1 O desenvolvimento da educação sanitária, a partir dos Estados Unidos da América, esteve associado à saúde pública, tendo sido instrumento das ações de prevenção das doe
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CEBRASPE (CESPE) · 2024
O desenvolvimento da educação sanitária, a partir dos Estados Unidos da América, esteve associado à saúde pública, tendo sido instrumento das ações de prevenção das doenças, e caracterizou-se pela transmissão de conhecimento. No entanto, mesmo que realizada de forma massiva, como no caso das campanhas sanitárias no Brasil, a perspectiva não contemplava a dimensão histórico-social do processo saúde-doença.
Com o movimento pela reforma sanitária no Brasil, as críticas mais contundentes relacionavam-se ao fato de que o social não era considerado na prática da saúde pública, senão em perspectiva restrita, de modo que a educação passou a ser uma atividade paralela, cuja finalidade seria a de auxiliar a efetivação dos objetivos eminentemente técnicos dos programas de saúde pública.
Entretanto, em uma perspectiva crítica, a educação parte da análise das realidades sociais, buscando revelar as suas características e as relações que as condicionam e as determinam. Essa perspectiva pode ater-se à explicação das finalidades reprodutivistas dos processos educativos ou trabalhar no âmbito de suas contradições, buscando transformar essas finalidades, estabelecendo como meta a construção de sujeitos e de projetos societários transformadores.
Da mesma forma, no campo da saúde, a compreensão do processo saúde-doença como expressão das condições objetivas de vida, isto é, como resultante das condições de habitação, alimentação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde, descortina a saúde e a doença como produções sociais, passíveis de ação e transformação, e aponta também para um plano coletivo, e não somente individual, de intervenção.
Essa maneira de conceber a saúde tem sido caracterizada como um conceito ampliado, pois não reduz a saúde à ausência de doença, promovendo a ideia de que uma situação de vida saudável não se resolve somente com a garantia do acesso aos serviços de saúde, mas depende, sobretudo, da garantia de condições de vida dignas que, em conjunto, podem proporcionar a situação de saúde. Nesse sentido, são indissociáveis o conceito de saúde e a noção de direito social.
Sem prejuízo da correção gramatical e dos sentidos textuais, a forma verbal “descortina” (quarto parágrafo) poderia ser flexionada no plural, em concordância com os termos pospostos “saúde” e “doença”, o que requereria também a substituição, na última oração, de “aponta” por apontam.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
A afirmação foi julgada ERRADO porque confunde a função sintática dos termos na oração.
O sujeito da frase é a compreensão (singular), que vem antes do verbo; por isso os verbos descortina e aponta concordam com esse sujeito em número e permanecem no singular.
Os termos “saúde e doença” são objetos (complementos), pospostos ao verbo, não núcleos do sujeito, logo não determinam a flexão verbal.
A mudança proposta para o plural só seria necessária se o sujeito fosse composto ou se o sujeito plural estivesse posposto ao verbo, o que não ocorre no texto em análise.
Portanto, flexionar “descortina” e “aponta” para o plural resultaria em discordância com o sujeito real da oração.
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