Questão FC86547
Nos países desenvolvidos, as práticas sociais de leitura e de escrita assumiram a natureza de problema relevante no contexto da constatação de que a população, embora alfabetizada,
Questões sem classificação de assunto
CEBRASPE (CESPE) · 2024
Na França, o illettrisme surgiu para caracterizar jovens e adultos do chamado Quarto Mundo (expressão que designa a parte da população, nos países desenvolvidos, mais desfavorecida) que revelavam precário domínio das competências de leitura e de escrita, o que dificultava sua inserção no mundo social e no mundo do trabalho.
Partindo do fato de que toda a população domina o sistema de escrita, porque passou pela escolarização básica, as discussões sobre o illettrisme se fazem sem relação com a questão do apprendre à lire et à écrire (a alfabetização escolar) e com a questão da alphabétisation (termo em geral reservado às ações desenvolvidas junto aos trabalhadores imigrantes, analfabetos na língua francesa).
O mesmo ocorreu nos EUA, onde o foco em problemas de literacy/illiteracy emergiu, no início dos anos 80 do século passado, como resultado da constatação de que jovens graduados na high school não dominavam as habilidades de leitura demandadas em práticas sociais e profissionais que envolvem a escrita. Também nesse caso, as discussões, os relatórios, as publicações apontaram que o problema não estava na illiteracy (no não saber ler e escrever), mas na literacy (no não domínio de competências de uso da leitura e da escrita).
O que se quer aqui destacar é que, tanto na França quanto nos EUA, os dois problemas — o domínio precário de competências de leitura e de escrita necessárias para a participação em práticas sociais letradas e as dificuldades no processo de aprendizagem do sistema de escrita, ou da tecnologia da escrita — são tratados de forma independente, o que revela o reconhecimento de suas especificidades e uma relação de não causalidade entre eles.
Magda Soares. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Internet: www.scielo.br (com adaptações).
No segundo período do segundo parágrafo, o vocábulo “se” funciona como índice de indeterminação do sujeito.
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Gabarito
Errado
Comentário do professor
O item é ERRADO porque o "se" em "as discussões sobre o illettrisme se fazem sem relação..." não indica indeterminação do sujeito. Há sujeito expresso, "as discussões", e o verbo concorda em plural ("fazem"), logo o "se" atua como pronome apassivador, marcando voz passiva sintética. Podemos reescrever: "as discussões ... são feitas sem relação ...", o que confirma a função apassivadora.
O índice de indeterminação do sujeito exigiria verbo na 3ª pessoa do singular sem sujeito explícito, por exemplo "vive-se bem"; como não é o caso, classificar o "se" como índice de indeterminação é incorreto.
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