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Questão FC869260

“O Brasil foi o maior território escravista do hemisfério ocidental por quase três séculos e meio. Recebeu, sozinho, quase 5 milhões de africanos cativos, 40% do total de 12,5 milh

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IDIB · 2026

“O Brasil foi o maior território escravista do hemisfério ocidental por quase três séculos e meio. Recebeu, sozinho, quase 5 milhões de africanos cativos, 40% do total de 12,5 milhões embarcados para a América. Como resultado, é atualmente o segundo país de maior população negra ou de origem africana do mundo. [...] O Brasil foi também a nação que mais tempo resistiu a acabar com o tráfico negreiro e o último a abolir oficialmente o cativeiro no continente americano, em 1888 [...]. O tráfico de africanos escravizados no Brasil começou por volta de 1535 [...]. O objetivo inicial do comércio de gente era fornecer mão de obra para a indústria do açúcar no Nordeste, a primeira importante atividade econômica colonial, mas rapidamente se propagou por todos os segmentos da sociedade e da economia. Três séculos mais tarde, na época da Independência, praticamente todos os brasileiros livres eram donos de escravos [...].”

 

(GOMES, Laurentino. Escravidão. v.1. Rio de Janeiro: Globo, 2019. pp. 19-20.)

 

A historiografia sobre a formação histórica do Brasil tem destacado a centralidade da escravidão na dinâmica do período colonial e imperial. Considerando esse contexto, assinale a afirmativa correta no que se refere à relação entre escravidão no Brasil e sistema econômico vigente.

  1. A escravidão no Brasil deve ser compreendida como parte funcional do capitalismo mercantil, pois viabilizou a produção em larga escala de mercadorias para exportação, permitiu elevada acumulação de capital e inseriu o país de forma subordinada na economia mundial.
  2. A escravidão no Brasil constituiu uma forma de produção essencialmente pré-capitalista, incompatível com a lógica do capitalismo, uma vez que se baseava na coerção direta e na ausência de trabalho livre, o que impediu sua integração orgânica ao mercado mundial de mercadorias.
  3. A utilização do trabalho escravizado no Brasil representou um obstáculo estrutural ao desenvolvimento do capitalismo, pois restringiu a circulação monetária interna, limitou a formação de mercados consumidores e bloqueou processos de acumulação de capital no espaço colonial.
  4. O sistema escravista brasileiro manteve-se à margem do capitalismo internacional, já que sua lógica econômica estava voltada prioritariamente para a subsistência local, com fraca articulação com fluxos comerciais transatlânticos e financeiros.
  5. A relação entre escravidão e capitalismo no Brasil foi apenas circunstancial, pois o trabalho escravizado decorreu de fatores culturais, justificados pela superioridade racial, e jurídicos, confirmados pelo maior desenvolvimento civilizatório europeu, sem vínculo estrutural com as exigências econômicas do mercado internacional.
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Gabarito

A

Comentário do professor

A alternativa aponta que a escravidão no Brasil deve ser entendida como parte funcional do capitalismo mercantil. Isso significa que o trabalho forçado não foi um anacronismo isolado, mas um componente operativo da economia colonial.

O uso massivo de mão de obra escravizada viabilizou a produção para exportação em grande escala, especialmente de açúcar, ouro e, mais tarde, café, voltados aos mercados europeus e atlânticos. Essas mercadorias geraram fluxos comerciais intensos.

Essa dinâmica permitiu significativa acumulação de capital, financiar embarques, comércio e investimentos locais e externos, e sustentar redes mercantis intercontinentais.

Como resultado, o Brasil ficou integrado de modo subordinado à economia mundial: fornecedor de produtos e matérias-primas e dependente das decisões e capitais das metrópoles europeias. Assim, a escravidão foi peça central da inserção econômica colonial.

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