Questão FC869268
“No início da noite de 15 de agosto de 1942, o vapor Baependi sulcava vagarosamente a costa do estado de Sergipe. [...] A poucas centenas de metros dali, o comandante do submarino
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IDECAN · 2026
“No início da noite de 15 de agosto de 1942, o vapor Baependi sulcava vagarosamente a costa do estado de Sergipe. [...] A poucas centenas de metros dali, o comandante do submarino alemão U-507, o capitão-de-corveta Harro Schacht, ordenara o torpedeamento da embarcação mercante brasileira. Minutos depois, duas fortes explosões e o Baependi era posto a pique. Das 306 pessoas a bordo, morreram 215 passageiros e 55 tripulantes. Era uma ação de guerra, da maior guerra que a história da humanidade conheceria [...]. Nos dias seguintes, outros navios foram atacados em águas territoriais brasileiras. Nas principais cidades do país, à medida que se informavam os ataques e se contabilizavam os mortos, grupos de manifestantes saíam às ruas, para [...] pedir, em resposta, declaração de guerra [...]. Em 22 de agosto de 1942, o presidente Getúlio Vargas, após uma reunião com seu ministério, declarou estado de beligerância contra o Eixo. O Brasil estava na guerra.”
(FERRAZ, Francisco César. Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial. Rio de janeiro: Zahar, 2005. p. 9.)
A participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial produziu impactos políticos, diplomáticos e ideológicos relevantes, particularmente em função da condição da União Soviética como potência aliada no combate ao nazi-fascismo. Considerando a conjuntura do Estado Novo, a dinâmica da frente antifascista e as repercussões internas dessa aliança durante o conflito, analise as afirmativas a seguir e assinale aquela que expressa corretamente esse processo histórico.
- A aliança militar entre Brasil e URSS durante a guerra resultou na formalização de acordos estratégicos duradouros, incluindo cooperação industrial e militar, que redefiniram estruturalmente a política externa brasileira no imediato pós-guerra.
- A relação entre Brasil e URSS durante a Segunda Guerra Mundial resultou de um alinhamento estratégico no contexto do conflito, sem o estabelecimento de relações diplomáticas regulares ao longo da maior parte da guerra. Ainda assim, no plano interno, o Estado Novo manteve o PCB na ilegalidade.
- A presença da URSS no bloco aliado levou o Estado Novo a abandonar temporariamente o autoritarismo interno, legalizando partidos comunistas, ampliando liberdades políticas e instaurando uma democracia de massas durante o conflito.
- A aproximação entre Brasil e URSS durante a Segunda Guerra Mundial resultou de um alinhamento ideológico duradouro entre Vargas e o socialismo soviético, traduzindo-se em cooperação diplomática intensa, acordos econômicos bilaterais e reconhecimento político mútuo ainda antes de 1941.
- A aliança circunstancial entre Brasil e URSS produziu mudanças permanentes na política interna brasileira, garantindo a legalização definitiva do PCB, a ampliação dos direitos civis e a incorporação de princípios socialistas à Constituição promulgada durante o conflito.
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Gabarito
B
Comentário do professor
A opção apresenta corretamente que a presença do Brasil no campo aliado foi fruto de um alinhamento pragmático contra o Eixo, no qual a União Soviética figurou como parceira militar e política do mesmo bloco. Esse vínculo foi de natureza estratégica, motivado pela conjuntura da guerra, e não implicou imediatamente em normalização plena das relações entre Brasil e URSS.
Ao longo da maior parte do conflito não houve relações diplomáticas regulares; elas só foram reatadas em abril de 1945, já na fase final da Segunda Guerra Mundial. Internamente, o Estado Novo manteve a política de repressão ao comunismo, preservando o PCB na ilegalidade e praticando censura e perseguição política.
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